Sindicato recomenda rejeição das propostas de rescisão da Visteon

O Sindicato das Indústrias Eléctricas do Sul e Ilhas (SIESI) vai propor aos trabalhadores da Visteon que recusem as propostas de rescisão dos contratos de trabalho apresentadas na passada quarta-feira pela empresa, revelou hoje à Lusa fonte sindical.

Agência LUSA /

Segundo o sindicalista Luís Leitão, estão agendadas reuniões plenárias para hoje às 15:45 e às 16:30 e para as 01:30 de terça- feira, em cada um dos três turnos de laboração, onde será votada uma moção e recomendada a "rejeição das propostas de rescisão dos contratos".

A multinacional Visteon Corporation pretende rescindir os contratos de trabalho com uma centena de trabalhadores "para melhorar os níveis de eficiência da empresa", mas o sindicato alega que se trata de uma estratégia de "embaratecimento da mão-de-obra".

"Ao contrário do que pensávamos inicialmente, não se trata de afastar trabalhadores afectados pela doença profissional das tendinites e com regimes de horário mais favorável, mas sim de despedir trabalhadores permanentes, que estão no topo de carreira, por trabalhadores temporários, com salários muito mais baixos", disse Luísa Leitão.

Em comunicado, o sindicato adianta que já solicitou a intervenção do Ministério do Trabalho para "pôr cobro às pressões sobre os trabalhadores para que rescindam os contratos".

A administração da Visteon justificou a proposta de rescisão de contratos de uma centena de trabalhadores, mediante o pagamento de um mês e meio de salário por cada ano de trabalho, com a necessidade de "melhorar a eficiência da empresa".

A Visteon em Palmela emprega actualmente 1.700 trabalhadores, essencialmente mulheres, no fabrico de autorádios, compressores e outros componentes electrónicos para automóveis.

Em Junho de 2003, a Visteon Corporation assinou um contrato de investimento com o governo português, no montante de 49 milhões de euros, dos quais 18 milhões de euros para projectos de inovação.

Como contrapartida, a empresa recebeu um incentivo de 2,7 milhões de euros ao abrigo do Programa de Incentivos à Modernização da Economia (PRIME) e um crédito fiscal de 13 por cento do investimento.

Segundo dados revelados pelo SIESI, a Visteon fechou o ano de 2005 com resultados líquidos superiores a 45 milhões de euros.

A fábrica da Visteon em Palmela é uma das muitas unidades da multinacional, representada em 23 países em todo o mundo.

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