Sindicatos acusam fábricas de "cluster" eólico da Enercon de aposta em baixos salários
Viana do Castelo, 19 Nov (Lusa) - O coordenador da União de Sindicatos de Viana do Castelo (USVC), Branco Viana, acusou hoje o grupo alemão Enercon de apostar em salários baixos e precariedade laboral nas fábricas que está a instalar naquele concelho.
A acusação foi rejeitada pelo presidente do consórcio Eólicas de Portugal, Aníbal Fernandes, que se manifestou "estupefacto" com as críticas sindicais e que garantiu que o salário mais baixo naquelas fábricas é de 700 euros, mais os subsídios de turno e de assiduidade.
Segundo Branco Viana, os trabalhadores da produção daquelas fábricas têm um salário-base "à volta de 500 euros", além de estarem com contratos a termo e de terem condições de trabalho "que não são as mais adequadas".
"É evidente que, face a tudo isto, as fábricas estejam com dificuldades para arranjarem mão-de-obra", disse à Lusa, o sindicalista.
As acusações foram refutadas pelo presidente do consórcio Eólicas de Portugal, de que faz parte a Enercon, que disse que a contratação "tem regras, em função da experiência, das habilitações e do conhecimento" dos trabalhadores.
"Se as pessoas estavam à espera que um electricista ganhasse o mesmo que um engenheiro, estavam enganadas", referiu Aníbal Fernandes.
Este responsável sublinhou que a Enercon "está em contraciclo" com a economia mundial, já que "cria postos de trabalho qualificados" numa altura em que "a maior parte das empresas está a despedir pessoas".
"Há pessoas que convivem melhor com a miséria e o desemprego do que com o progresso. Pararam no tempo, são retrógradas", acrescentou.
A Enercon está a criar um "cluster" eólico em Viana do Castelo, tendo hoje mesmo sido inauguradas oficialmente três fábricas (torres de betão, mecatrónica e geradores) e um centro administrativo e de formação.
O mesmo grupo alemão construiu ainda em Viana do Castelo uma fábrica de pás de rotor, que funciona desde Novembro de 2007, e terá também uma segunda fábrica igualmente de pás de rotor.
No total, em Viana do Castelo serão criados perto de 1390 postos de trabalho directos.
Aníbal Fernandes admitiu algumas dificuldades na contratação deste número "maciço de trabalhadores com a rapidez que as empresas exigem", mas sublinhou que isso se deve, apenas e só, à necessidade de formação prévia, por se tratar de um novo segmento de emprego.
O "cluster" eólico, que integra várias empresas parceiras, vai significar um investimento de 200 milhões de euros e será responsável pela criação, no País, de 10 mil postos de trabalho directos e indirectos.
VCP.