Sines com condições para iniciar transporte marítimo directo China/Portugal

O presidente da concessionária do porto de Sines, a PSA, garantiu hoje, em Xangai, que "estão criadas as condições" para se iniciar o tráfego de contentores directamente da China para Portugal, no último trimestre deste ano.

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Nessa altura estará operacional a primeira fase de expansão da capacidade do terminal.

Jorge Almeida falava aos jornalistas em Xangai, após uma reunião com a segunda maior companhia de navegação chinesa, a China Shipping, e de contactos previamente estabelecidos com a maior transportadora chinesa, a COSCO, em Pequim, no decurso de uma visita à China da secretária de Estado dos Transportes, Ana Paula Vitorino.

À melhoria das condições que o porto de Sines vai passar a oferecer, com a instalação de uma nova grua, junta-se o interesse dos operadores chineses em navegar directamente para Portugal, de onde podem aceder ao mercado ibérico e europeu.

Aquele responsável indicou que actualmente existe um tráfego de cerca de 100 mil Teus (unidade padrão para medir contentores), mas que chega a Portugal depois de escalas em portos não portugueses.

A nova grua, que permitirá aumentar a capacidade dos porto dos actuais 250 mil teus para 375 mil teus, representa um investimento de cerca de 30 milhões de euros e está incluída num plano mais vasto de expansão, que prevê a construção de um segundo e terceiro cais.

"O facto de Sines ter condições para rotas directas vai trazer grandes vantagens aos exportadores/importadores portugueses, que vão beneficiar de transportes mais rápidos e sem os custos acrescidos do `transhipment` e será do maior significado para a economia nacional", considerou Jorge Almeida, sublinhando que a Europa está "no radar" de todos os grandes operadores globais, nomeadamente os do Extremo-Oriente.

O presidente da PSA manifestou-se "favoravelmente surpreendido" pela reacção positiva das duas maiores companhias de navegação chinesas à apresentação das condições de Sines, tanto que a COSCO, depois da prevista reunião na sede, em Pequim, acabou por marcar uma nova reunião, na sua base operacional, Xangai.

No entanto, e apesar de estar prevista a assinatura de um memorando de entendimento entre a PSA e a China Shipping, no programa da visita da secretária de Estado à China, tal acabou por não acontecer.

"Da reunião com a China Shipping resultou o entendimento de que vamos trabalhar, não numa base de memorando de entendimento, mas na base do desenvolvimento da nossa relação comercial", explicou Jorge Almeida aos jornalistas.

Assim, as duas companhias chinesas estão, para já interessadas na utilização do porto de Sines, mas apenas depois da construção do segundo cais, previsto para o final de 2008, quando poderão começar a operar carreiras directas regulares, ao ritmo de um navio por semana.

Actualmente, a COSCO movimenta cerca de 2 mil teus entre a China e Portugal, enquanto a China Shipping movimenta 800.

O presidente da PSA adiantou que as companhias chinesas estão interessadas numa situação de exclusividade na utilização do porto, e que admitiu ser matéria negociável, embora a concessionária esteja mais interessada em manter a abertura a outros operadores.

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