Situação financeira dos serviços saúde da PSP é caótica, sindicato e ministro de acordo
O Sindicato Nacional da Polícia insistiu na necessidade de resolver a situação financeira dos serviços de saúde da PSP, um problema que o próprio ministro da Administração Interna reconheceu ser caótico e para o qual prometeu solução.
Ao apresentar quarta-feira, na Comissão Parlamentar de Economia e Finanças, o orçamento para 2005 do Ministério da Administração Interna, o ministro Daniel Sanches reconheceu que a situação financeira dos serviços de saúde da PSP é "caótica" e prometeu medidas para resolver o problema.
Hoje, em comunicado, o Sindicato Nacional da Polícia (SINAPOL) considerou que "a PSP, concretamente na área da saúde, está tecnicamente falida, com uma dívida a médicos na casa dos muitos milhões de euros".
"A situação da saúde na PSP é tão grave que existem todos os dias empresas, clínicas e laboratórios a rescindir contratos por justa causa por falta de pagamento, por vezes com mais de um ano de consultas fiadas à PSP", acrescenta.
O SINAPOL afirma que "as associações sindicais vêm alertando a tutela há demasiados anos para a grave situação financeira da PSP, resultado de uma má gestão".
"Esta rotura é na sua maior parte culpa dos diversos governos, independentemente da sua cor política, que nada têm feito para corrigir esta situação", sublinha o Sindicato Nacional da Polícia.
A estrutura sindical acrescenta que "também a área da segurança, o policiamento em concreto, tem sido afectada por toda esta ruína financeira" na PSP.
"São instalações a cair, carros sem manutenção adequada, sistemas informáticos a dar problemas, o fardamento que deveria ser o Estado a pagar e as remunerações baixas para os riscos que os polícias estão sujeitos", realça o sindicato.
O SINAPOL diz que "não vai poder ser cúmplice de um orçamento que não defende os interesses da PSP nem dos polícias", acrescentando que "se o Governo mantiver esta postura não será bem sucedido e terá um ano de 2005 bastante difícil a nível sindical".
A despesa consolidada do Ministério da Administração Interna prevista para 2005 ascende a 1.523,6 milhões de euros, contra 1.511,5 milhões em 2004 (mais 0,8 por cento), segundo a proposta de Orçamento de Estado para 2005.
O montante previsto para 2005 representa 3 por cento do total da despesa da Administração Central e 1,1 por cento do Produto Interno Bruto (PIB), nos termos do documento.
Para 2005 estão previstos para investigação e segurança interna 1.277,6 milhões de euros, que representam 88,6 por cento da despesa dos serviços integrados do MAI.
Os investimentos na área da Administração Interna inscritos no Plano de Investimento e de Desenvolvimento das Despesas da Administração Central (PIDDAC) ascendem a 51,5 milhões de euros, com uma variação positiva de 4,5 por cento relativamente à previsão da execução de 2004.
Esses investimentos destinam-se, fundamentalmente, à construção e remodelação de instalações, aquisição de equipamento para vigilância da fronteira marítima e redes de transmissões das forças de segurança e bombeiros.