Soares da Costa quer entrar na segunda liga ibérica do sector da construção

A Soares da Costa quer entrar na "segunda liga ibérica de grupos de construção" até 2012, através do crescimento por aquisições, focalização nos negócios de construção e serviços e aposta em três mercados-âncora.

© 2007 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A. /

Em conferência de imprensa na sede da empresa, no Porto, o presidente da comissão executiva do grupo, Pedro Gonçalves, explicou que o objectivo da Soares da Costa é posicionar-se no grupo de construtores ibéricos que ultrapassam os mil milhões de euros de facturação anual e onde, até agora, os únicos portugueses a marcar presença são a Mota-Engil.

Para o conseguir, o grupo focalizou algumas "linhas de desenvolvimento estratégico", onde se insere o crescimento inorgânico (por aquisições), a aposta em duas áreas de negócio (construção e concessões) e a aposta em três mercados `core`: Portugal, Angola e Florida, nos EUA.

Em matéria de crescimento, a aposta do grupo, segundo Pedro Gonçalves, passará por "explorar oportunidades de crescimento inorgânico na construção e concessões que reforcem o posicionamento a nível ibérico e a capacidade de alavancagem".

A estratégia da Soares da Costa será assim a de exploração de oportunidades de crescimento inorgânico em Portugal ou Espanha, reforçar a sua participação em concessões e explorar oportunidades de tomada de controlo nessas participações.

A aposta nos sectores das concessões e serviços - que deverão passar a representar metade dos resultados operacionais do grupo - por sua vez, resulta num redimensionamento das unidades do grupo, com a indústria e do imobiliário a serem eliminadas como áreas estratégicas de desenvolvimento.

"Na indústria, com excepção da Clear, todas as outras unidades serão integradas na construção", explicou Pedro Gonçalves, garantindo que, nesta área, não ocorrerão encerramentos ou despedimentos, mas haverá "fortes ganhos" ao nível de custos internos e eficiência da organização.

O negócio imobiliário, que no passado conquistou um forte peso nos negócios da construtora, deixa também de ser `core` na estratégia e foca-se em oportunidades selectivas de risco reduzido (com imobilização reduzida de capital) em Angola (onde há potencial de desenvolvimento) e Portugal, explicou o responsável.

Os três mercados a operar - Portugal, EUA e Angola - serão complementados com uma "nova plataforma de crescimento a seleccionar nos próximos 2/3 anos", disse ainda o presidente da comissão executiva do grupo.

Entre eles, a atenção da Soares da Costa incidirá sobre a Europa de Leste - Roménia, ou outros mercados menos explorados - Magreb/Argélia, Golfo da Arábia/Emirados Árabes Unidos (Qatar, Arábia Saudita).

Os restantes mercados de construção serão abordados, de acordo com Pedro Gonçalves, em função de "oportunidades específicas", com especial atenção nos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) e Espanha, especificamente na região fronteiriça com Portugal.

"Os países onde se prevê um maior crescimento do consumo de cimento são a Argélia, o Qatar e os Emirados Árabes Unidos e é aí onde queremos estar", disse.

Para conseguir concretizar estes objectivos estratégicos, é intenção da Soares da Costa adequar a breve prazo a estrutura societária da empresa, bem como modelos de governo e organizativo, e competências (recursos humanos) para a implementação da estratégia, fortalecendo a imagem institucional e a capacidade de influenciar decisores-chave.

A este respeito, Pedro Gonçalves, adiantou que será proposto alargar o Conselho de Administração do grupo, com a inclusão de membros independentes que abrirão o grupo construtor ao exterior.


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