Sociedade criada para a Expo`98 é hoje é uma holding de empresas com objetivos díspares

Lisboa, 19 ago (Lusa) -- A Parque Expo, cuja extinção o Governo anunciou hoje, foi criada em 1993 para construir, explorar e desmantelar a Expo`98, mas após a exposição foi sobrevivendo com novos negócios, acumulando dívidas de 225 milhões de euros.

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Contactada pela agência Lusa, a Parque Expo fez saber que não comenta a decisão do Governo. No entanto, o anúncio da Ministra do Ambiente, Assunção Cristas, já era esperado: Tanto o primeiro-ministro Passos Coelho como o anterior Governo de José Sócrates já tinham a Parque Expo na lista das possíveis empresas a extinguir para reduzir o peso da dívida do setor empresarial do Estado.

No final de 2010, o endividamento da Parque Expo atingiu os 224,9 milhões de euros, o que obriga a empresa a suportar juros anuais elevadíssimos, que só no ano passado atingiram 4,8 milhões de euros.

A ministra disse hoje que ainda é "prematuro" falar sobre a possibilidade de dispensa de trabalhadores, mas admitiu que "pode ser uma consequência" da extinção, o que não deve descansar os 307 funcionários das empresas do Grupo, dos quais 174 pertencem ao núcleo da Parque Expo.

A sociedade Parque EXPO 98, S.A. foi legalmente criada a 23 de março de 1993 (Decreto-Lei n 88/93) para conceber, executar, construir, explorar e desmantelar a Exposição Mundial de Lisboa (EXPO'98), bem como para intervir no reordenamento urbano na zona oriental de Lisboa onde se realizou a Exposição.

No entanto, após a Expo'98 e a sua transição para o Parque das Nações, a Parque Expo não se extinguiu e adaptou-se a novas áreas de negócios.

A Parque Expo está envolvida no desenvolvimento de Programa Polis em diversas cidades, nomeadamente o da Costa da Caparica e o de Viana do Castelo, ainda não concluídos.

Tem ainda participação nos Polis de requalificação e valorização da orla costeira no Litoral Norte, em Aveiro, na Ria Formosa e no Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina.

Participou em 27 projetos de recuperação de centros históricos, como por exemplo, em Mafra, Vila Nova de Gaia, Viseu, Évora Marvão e Baixa Pombalina, em Lisboa, e na recuperação ou construção de equipamentos públicos, como a Casa das Artes, no Porto, ou a Fortaleza de Sagres.

Também tem gerido a participação portuguesa em exposições internacionais após a Expo'98, como na exposição de Saragoça ou na de Xangai, e participado em projetos internacionais em Angola, Argélia, Brasil, Cabo Verde, Egito, Espanha, Marrocos, Moçambique, São Tomé e príncipe e Tunísia.

Aliás, além da sede em Lisboa e da delegação no Porto, a empresa mantém delegações para negócios em Angola, na Argélia, em Marrocos, em Cabo Verde e na Sérvia.

A ministra do Ambiente salientou que a Parque Expo é hoje "uma empresa que no fundo é uma holding com várias empresas associadas com fins muito díspares".

"Algumas fazem sentido permanecer na esfera do Estado como Oceanário de Lisboa mas, outros como o Pavilhão Atlântico de fato não têm razão para permanecer na esfera pública", considerou.

Além do Oceanário de Lisboa e do Pavilhão Atlântico, o grupo detém a Marina do Parque das Nações, a empresa que faz a Gestão Urbana do Parque das Nações e a Blueticket, que presta serviços relacionados com a bilhética.

Tem ainda participações minoritárias em outras empresas como a que explora a Gare do Oriente, uma outra que constrói e faz manutenção de teleféricos e duas empresas de promoção, desenvolvimento e construção imobiliária.


RCS/JYF.

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