Sociedade Orey Antunes compra Banco Privado Português

Os representantes dos clientes do Banco Privado Português reagiram com cautelas ao anúncio da compra da instituição pela Sociedade Comercial Orey Antunes. A aquisição do BPP pelo valor simbólico de um euro está agora sujeita à luz verde do Banco de Portugal.

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A compra do BPP está agora sujeita à apreciação positiva e parecer vinculativo do Banco de Portugal RTP

A Orey Antunes informou esta sexta-feira a Comissão de Mercados de Valores Mobiliários (CMVM) que adquiriu a totalidade do BPP e de duas empresas holding do Grupo Privado Português por um euro, negócio que aguarda a chancela do Banco de Portugal.

A nota à CMVM refere que, "no seguimento do comunicado divulgado no dia 4 de Julho de 2009, a Sociedade Comercial Orey Antunes, S.A. (SCOA) vem informar que acordou hoje a aquisição, pela sua participada Orey Financial, Instituição Financeira de Crédito, S.A. (Orey Financial), da totalidade do capital do Banco Privado Português, S.A. (BPP) e de duas empresas Holding do Grupo Privado Holding (Gest Advisors, Ltd. e Pcapital, SGPS, S.A.), pelo preço total de um Euro".

Numa reacção ao negócio, Jaime Antunes, porta-voz da Associação Privada de Clientes, considerou a compra do BPP "uma boa notícia" apesar de estar ainda "dependente do parecer das entidades oficiais".

"Neste momento, a única novidade é que a Sociedade Comercial Orey Antunes comunicou à CMVM que comprou por um euro o Banco Privado", afirmou o representante dos clientes do BPP, sublinhando que a "compra e a efectivação do negócio está dependente de todos os pareceres das entidades oficiais, nomeadamente do Banco de Portugal e do Governo".

Apresentação de uma solução é sempre "uma boa notícia"
Considerando que "sempre que há uma perspectiva de solução para o banco" isso "é uma boa notícia", Jaime Antunes insistiu que "uma mudança accionista num banco precisa do parecer favorável, vinculativo e decisivo do Banco de Portugal".

A mesma cautela foi manifestada pelo representante dos clientes Durval Padrão, que não escondeu porém a satisfação por "ao fim de oito meses" a situação do BPP poder finalmente ter uma evolução positiva.

"Finalmente, ao fim de quase oito meses, pode ser que as coisas evoluam no bom sentido", afirmou Durval Padrão, para espelhar depois o actual estado de espírito dos clientes: "Pior do que já estamos, em princípio não vamos ficar".

Administração "deverá ser substituída"
O  porta-voz do movimento de retorno absoluto do BPP manifestou ainda a sua convicção de que a actual administração "vai cair ou ser substituída", possibilidade que confirma, de acordo com Durval Padrão, a sensação que ficou aos clientes aquando da última reunião.

"Se os actuais accionistas não tinham capacidade para resolver a situação, se o Estado não interveio ou não quis intervir e se o grupo Orey tinha interesse em ter um banco, está resolvido. Provavelmente, agora a administração vai cair, vai ser substituída", considerou Durval Padrão.

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