Sociedades que absorveram ativos `tóxicos` do BPN custaram 100 milhões até setembro

Lisboa, 23 nov (Lusa) -- As sociedades veículo Parups e Parvalorem, criadas para absorver os ativos problemáticos do BPN, custaram ao Estado 100 milhões de euros entre janeiro e setembro, de acordo com os dados divulgados hoje na execução orçamental.

Lusa /

De acordo com a informação, que pela primeira vez surge na síntese de execução orçamental hoje divulgada, a Parups e a Parvalorem fecharam os primeiros nove meses do ano com um saldo global negativo em 100 milhões de euros.

A Parups, veículo que agrupa património imobiliário, apresentou em setembro um saldo global negativo de 55,2 milhões de euros, enquanto o da Parvalorem foi de 44,8 milhões, pelo que no total o défice acumulado das duas sociedades ascende a 100 milhões de euros.

Um resultado que, segundo diz a síntese de execução orçamental, "não compromete o cumprimento da meta [orçamental] fixada para o terceiro trimestre" no âmbito do programa acordado com a `troika` (Fundo Monetário Internacional, Banco Central Europeu e Comissão Europeia).

No terceiro trimestre, o défice das administrações públicas ficou nos 5850 milhões de euros. A meta da `troika` para o mesmo período era de 5900 milhões.

A síntese de execução orçamental de hoje diz ainda que o "recurso ao endividamento [destas entidades] visa sobretudo a cobertura de despesa com aquisição de bens e encargos com juros".

O saldo global negativo de 55,2 milhões de euros da Parups é o resultado de uma despesa corrente de 56,8 milhões de euros (dos quais 54,2 com a aquisição de bens e serviços e 1,0 com outras despesas correntes) e de uma receita de apenas 1,6 milhões de euros.

Na Parvalorem, à receita de 2,5 milhões de euros são subtraídos 47,3 milhões de despesa (10,6 milhões de despesa com pessoal, 5,4 milhões com aquisição de bens e serviços, 27,2 milhões com juros e outros encargos e 4,2 milhões com outras despesas correntes), resultando num saldo negativo de 44,8 milhões de euros.

O quadro da síntese de execução orçamental que apresenta estes dados tem uma nota que dá conta de que estes dados destas sociedades não constam do quadro que dá conta da execução orçamental dos serviços e fundos autónomos "por ausência de reporte de informação". Esta estimativa de execução orçamental foi "fornecida pelas entidades", acrescenta ainda.

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