Sócrates culpa bancos por "causarem a crise internacional"
O primeiro-ministro reagiu a um estudo apresentado pelo presidente do BPI que indica que os compromissos assumidos pelo Estado atingiram os 100% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2009. Sócrates considerou "irónico" que "os causadores" da crise internacional queixem-se agora das acções do Estado.
"Todos os contributos para o debate sobre as matérias nacionais são positivos mas não deixo de achar irónico que aqueles que foram os causadores ou que causaram a crise internacional - os sectores financeiros - sejam agora os primeiros a queixarem-se das acções do Estado que permitiam resolver essa crise", disse o primeiro-ministro em Paris, onde participou num simpósio internacional na Escola Militar.
De acordo com um estudo apresentado pelo banco BPI, o PIB em 2009 terá sido de 160,8 mil milhões de euros, um recuo de 3,3% face aos 166,4 mil milhões de euros em 2008.
De acordo com Fernando Ulrich, que apresentou o trabalho, a dívida pública consolidada pode crescer 20 por cento até 2013 e já em 2009 deve representar 100 por cento do Produto Interno Bruto.
"Como o crescimento é baixo, o superavite primário não é suficiente para cancelar os efeitos automáticos da dívida pública, por isso, a dívida pública consolidada vai crescer", disse Ulrich.
Em resposta, o primeiro-ministro afirmou que "é muito curioso que sejam agora os bancos a queixarem-se de que os Estados têm dívidas ou têm défices porque essas dívidas e esses défices serviram para os ajudar".
"É um paradoxo, que tem muito a ver com os paradoxos das sociedades democráticas", disse José Sócrates.
Apesar de criticar a banca, o primeiro-ministro acrescentou que "o nosso sistema financeiro portou-se muito bem" e que, perante a crise internacional, Portugal não sofreu tanto como outros países.
"Mesmo assim, quando chegou o momento, mostrámos que o Estado estava disponível e com uma vontade de não permitir nenhuma catástrofe ao nível financeiro no nosso sistema".