Sogeo inicia construção de nova central geotérmica nos Açores
A empresa de exploração de energia geotérmica Sogeo deu hoje início à construção de uma nova central em S.Miguel, que vai permitir duplicar a produção geotérmica na maior ilha açoriana.
Na assinatura do contrato com a multinacional israelita Ormat Tecnologies, o administrador-delegado da Sogeo adiantou que a obra, com um custo de 19,2 milhões de euros, deverá ficar concluída dentro de 19 meses, prevendo-se que a nova central comece a produzir em Setembro de 2006.
Segundo Carlos Alberto Bicudo, esta nova central da vai ser implantada na zona em que se iniciou o programa geotérmico açoriano, no Pico Vermelho e implicará a desactivação dos actuais equipamentos da central piloto, que já laboram há 20 anos.
De acordo com o responsável, a produção anual prevista para a nova central geotérmica será de cerca de 80 GW.
"Perspectiva-se, assim, que com a entrada em funcionamento desta nova central, a juntar às duas já existentes, a produção de energia eléctrica a partir da fonte geotérmica em S.Miguel ultrapasse os 180 GW/ano", acrescentou.
O presidente do conselho de administração da Sogeo referiu que a construção da nova central se reveste de "grande importância" para "poder responder às necessidades que garantam um futuro com base na utilização das energias renováveis".
Monteiro da Silva assegurou, ainda, que a Sogeo "está a aproveitar ao máximo" as potencialidades geotérmicas do arquipélago e realçou que a nova central vem substituir a central piloto e constitui "um passo muito ambicioso".
Adiantou que a Sogeo "já possui os licenciamentos ambientais necessários para avançar com os furos geotérmicos na Terceira e posteriormente lançar o seu respectivo concurso público internacional, dando, assim, "continuidade" ao projecto geotérmico naquela ilha.
"Além disso, o grupo está a trabalhar no que se refere à possibilidade de aproveitamento de recursos geotérmicos na ilha do Faial", acrescentou.
Monteiro da Silva anunciou, ainda, que está igualmente "em estudo" a possibilidade de novos projectos em S.Miguel para "outros aproveitamentos" da geotermia, que "não apenas para produção de electricidade", nomeadamente para o fornecimento de água quente a unidades industriais e na área do turismo.
Na cerimónia de assinatura do contrato, o secretário regional da Economia defendeu, por seu turno, que os Açores "devem continuar" o "caminho" de "uma aposta forte" nas energias renováveis.
Duarte Ponte considerou, por outro lado, que nas proximidades da nova central poderão aparecer projectos empresariais e outros ainda ligados ao turismo, em áreas que "não estão relacionadas directamente com a produção de energia eléctrica".