S&P manda para o “lixo” seis bancos portugueses

A agência de notação financeira Standard & Poor’s rebaixou ao nível de "lixo" o “rating” de seis bancos portugueses. BCP, BPI, BES e Caixa Geral de Depósitos estão entre os que foram parar à categoria de “investimento especulativo” o que no jargão das agências de notação se denomina “junk” ou lixo. Já ontem esta mesma agência tinha baixado a nota a dez bancos espanhóis. Na origem desta verdadeira “razia” estão, segundo a S&P, os novos critérios de avaliação da agência, que já afetaram o rating de dezenas de entidades financeiras a nível mundial.

RTP /
A Standard & Poor's continua a sua ofensiva contra o sistema financeiro europeu DR

No caso do Banco Comercial Português (BCP) e do Banco Espírito Santo (BES), a nota sofreu um corte de dois níveis, passando de “BBB-“ (o patamar imediatamente acima de “lixo”) para “BB”, dois patamares abaixo).

Já no que respeita ao Banco BPI e à Caixa Geral de Depósitos (CGD), a descida trouxe-os de “BBB-“ para “BB+ “ considerado o primeiro patamar do chamado “junk”, e que equivale a um grau especulativo e não apropriado para investimento.

Tratamento idêntico a este tiveram o Banco Português de Investimento (subsidiária do BPI) e o Banco Espírito Santo de Investimento que também passaram de “BBB-“ para “BB”.

Recorde-se que estes seis bancos constam da lista de sete entidades bancárias portuguesas que a S&P mantém, desde 7 de Dezembro, sob vigilância negativa, o que indica que poderá realizar novos cortes nos próximos seis meses.

Desta lista, o único que não sofreu hoje um corte foi o Banco Santander Totta, cujo rating de “BBB” reflete já, segundo a S&P, a nova metodologia em vigor desde 29 de Novembro.

A Standard & Poor's diz que tenciona tomar mais decisões sobre as avaliações dos bancos portugueses até quatro semanas depois de decidir sobre a nota da República de Portugal, que se encontra sob vigilância negativa desde o início do mês.

A decisão da agência internacional de notação financeira surge no mesmo dia em que o Instituto de Gestão do Crédito Público (IGCP) anunciou o cancelamento do leilão de cerca 1250 milhões de euros em Títulos do Tesouro que estava agendado para a próxima quarta-feira. O IGCP não forneceu razões para esta decisão.
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