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Subconcessionar linhas da CP é financiar privados com erário público

Subconcessionar linhas da CP é financiar privados com erário público

A Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações (Fectrans) acusou hoje o Governo de transformar o serviço público ferroviário "num negócio entregue a privados, financiado pelo erário público", ao subconcessionar os troços de Cascais, Sintra/Azambuja, Sado e Porto.

Lusa /
Reuters

"O Governo deu mais um passo na transformação do serviço público ferroviário num negócio entregue a grupos privados, financiado pelo erário público", sustenta a Fectrans em comunicado, numa reação ao anúncio de que o Governo mandatou a CP - Comboios de Portugal para apresentar num prazo de 90 dias "uma proposta com os modelos concretos de subconcessões" a privados para os troços de Cascais, Sintra/Azambuja, Sado e Porto.

Notando que o Governo avança para a concessão a privados das linhas de Cascais, Sintra/Azambuja, Sado e Suburbanos do Porto - "precisamente as linhas que transportam mais passageiros" - ao mesmo tempo que anuncia ter autorizado a CP a adquirir 12 comboios de alta velocidade, com opção para mais oito, num investimento de 584 milhões de euros, a federação sustenta que a decisão "não visa melhorar o transporte ferroviário nem reforçar a capacidade da CP".

"O seu objetivo é garantir milhões de euros aos privados, que nada terão de investir, num modelo sempre lucrativo para esses grupos: os investimentos são públicos, mas os lucros tornam-se privados", acusa.

Para a Fectrans, "se a intenção fosse uma gestão mais eficiente e próxima das populações, isso poderia ser concretizado no quadro da própria CP", dotando a empresa dos meios necessários, reforçando os trabalhadores em falta e acolhendo as propostas que têm vindo a ser apresentadas pelas suas organizações representativas.

"A CP só não presta um serviço melhor porque sucessivos governos nunca assumiram a ferrovia como instrumento estratégico para o desenvolvimento integrado do país", afirma, considerando "profundamente contraditório que o mesmo Governo que reconhece a importância estratégica da ferrovia e da CP pretenda, simultaneamente, entregar a espinha dorsal do transporte ferroviário aos interesses privados".

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