Subida de juros em junho resulta da existência de "circunstâncias perfeitas"
A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, defendeu hoje que a subida de juros na reunião de junho ocorreu porque existiam as "circunstâncias de política monetária perfeitas para o fazer", nomeadamente perspetivas de inflação elevada.
Os indicadores apontavam para uma previsão de inflação alta, a inflação subjacente com tendência alta e um regresso à meta de 2% apenas no fim de 2028, pelo que era "uma decisão óbvia e foi tão óbvia que foi unânime no conselho", disse, num painel no Fórum BCE, a decorrer em Sintra.
Lagarde sinalizou que desistiram de fazer "forward guidance", ou seja, orientações futuras para comunicar ao mercado as expectativas para a economia, apontando que se tem algum arrependimento é de ter estado vinculada a isso.
"O que fazemos é informar os participantes do mercado e especialistas financeiros sobre como chegamos à nossa postura de política monetária", explicou, avançando quais são os indicadores que seguem com mais atenção.
Na reunião de 11 de junho, quando o BCE decidiu subir os juros em 25 pontos base, os governadores olharam "para a previsão de inflação, para os últimos dados financeiros e económicos", bem como para os riscos, enquanto parte da avaliação.
No que diz respeito aos riscos, em alta para inflação e em baixa para crescimento, a responsável considerou que "estão mais equilibrados do que há umas semanas".
Lagarde destacou ainda a rapidez das mudanças como um dos fatores que o BCE tem de estar atento e preparado, apontando que, por exemplo, o preço do petróleo caiu para 72 dólares o barril quando estava a 120 dólares em março.
O Fórum é um evento anual organizado pelo Banco Central Europeu e realizado em Sintra, que reúne governadores de bancos centrais, académicos e representantes do mercado financeiro.
Este ano, tem como tema "Moldar o futuro da Europa: inovação, crescimento e estabilidade" e decorre de 29 de junho a 01 de julho.