Tagus consegue 84,8 do capital da Brisa, suficiente para sair de Bolsa

Lisboa, 09 ago (Lusa) - A Oferta Publica de Aquisição (OPA) da Tagus sobre a Brisa permitiu aos oferentes adquirir 84,8 por cento do capital social, sendo que serão suficientes para a empresa requerer a saída de bolsa mas não para lançar uma OPA potestativa.

Lusa /

O presidente da Tagus, Vasco de Mello, afirmou hoje em sessão especial de bolsa para apurar os resultados da OPA, que os objetivos foram todos cumpridos, embora se escusasse a comentar a saída de bolsa da Brisa.

Perante estes resultados, a Brisa, segundo o artigo 27 do Código de Valores Mobiliários, pode pedir à Comissão de Mercado de Valores Mobiliários a perda da qualidade de sociedade aberta - o que implica que não pode estar em bolsa - isto porque a Tagus passou a deter, "em consequência de oferta pública de aquisição, mais de 90 por cento dos direitos de voto calculados nos termos do n.º 1 do artigo 20.º".

Como a Tagus detém 92 por cento dos direitos de voto, somando os 84,8 por cento conseguidos hoje e os 7,9 por cento de ações próprias da Brisa, pode pedir diretamente a perda de qualidade de sociedade aberta à requerer à Comissão de Mercado de Valores Mobiliários a sua saída de bolsa.

Outra das soluções é, no futuro, a Tagus conseguir comprar os restantes 7,3 por cento de capital social de acionistas que não venderam no âmbito da OPA até atingirem mais de 90 por cento do capital social e dos direitos de voto, lançando uma OPA potestativa.

Uma outra alternativa passa pela Tagus adquirir ações até deterem 96 por cento do capital e lançar uma OPA potestativa obrigatória, em que os acionistas são obrigados a vender à `holding` controlada pela José de Mello.

Segundo dados da Euronext Lisboa, divulgados hoje em sessão especial de bolsa, a Tagus, constituída pela José de Mello (55 por cento) e Arcus (45 por cento), tem agora 508,899 milhões de ações depois da OPA, sendo que 211,659 milhões foram compradas durante a operação que terminou na quarta-feira à tarde.

A Tagus tinha lançado a oferta sobre 255.523.722 ações e conseguiu comprar apenas 82,8% (211.659.680 acções). Para que a Tagus conseguisse adquirir as ações em causa, a `holding` com sede no Luxemburgo investiu cerca de 584 milhões de euros a um preço de 2,76 euros por título.

Da totalidade das ações, a Tagus não conseguiu adquirir em oferta cerca de 7,3 por cento do capital social, sendo que a Brisa detém 47,236 milhões de ações próprias, correspondente a 7,9 por cento do capital.

A Tagus adquiriu 197,394 milhões de ações, correspondentes a 32,9 por cento do capital na OPA e comprou no mercado 14,264 milhões de títulos 2,37 por cento.

Antes da operação, a José de Mello e a Arcus controlavam 49,5 por cento do capital da Brisa, a que se juntaram os 15,01 por cento detidos pela espanhola Abertis.

A Bolsa de Lisboa anunciou também que a Brisa irá ser retirada do índice do PSI-20 e do mercado de futuros, revelando que o seu substituto no índice só será conhecido no final de setembro, à semelhança do que aconteceu com a Cimpor.

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