TAP diz que mantém interesse em "parceria profunda" com a Varig
O administrador-delegado da TAP afirmou hoje que a transportadora aérea portuguesa mantém o interesse numa "profunda parceria" com a Varig, depois de a transportadora brasileira ter apresentado um pedido de recuperação judicial.
Numa comunicação interna aos trabalhadores, o administrador- delegado da transportadora aérea, Fernando Pinto, afirma que "a TAP continua a acompanhar com a maior atenção" o processo da Varig, "já que se mantêm as razões estratégicas que a levaram a equacionar o estabelecimento de uma profunda parceria com a Varig".
A companhia aérea brasileira anunciou a 17 de Junho que recorreu ao tribunal para alargar o prazo do pagamento das suas dívidas junto dos credores, ao abrigo da legislação brasileira sobre falências, recentemente aprovada.
A acção interposta inclui também a Rio Sul e a Nordeste, empresas que pertencem ao grupo Varig.
Nos termos da lei, a Varig tem agora 60 dias para apresentar um plano de viabilidade e 180 dias para o conseguir aprovar junto dos credores.
Na comunicação interna hoje enviada aos trabalhadores da TAP, Fernando Pinto diz que "a concretização do plano de recuperação da Varig apresentado pela TAP aguarda os desenvolvimentos do processo interno brasileiro".
Avisa, também, que "agora, como desde o início do processo, a participação da TAP foi e será sempre pautada pela defesa intransigente dos interesses da companhia e de todos os que nela trabalham".
O pedido de recuperação judicial foi feito pela Varig depois de o prazo concedido pela International Finance Leasing Corporation (IFLC) para a devolução de 11 aviões operados pela companhia brasileira por falta de pagamento ter sido ultrapassado.
A IFLC, controlada pela AIG International, exige a devolução das aeronaves Boeing, cinco modelos 737, quatro 757 e dois 777, estes últimos utilizados nos voos internacionais da empresa brasileira.
Em Janeiro de 2003, a Justiça francesa, a pedido da IFLC, reteve um avião da Varig durante três dias no Aeroporto Internacional de Paris, por falta de pagamento.
Na semana passada, as empresas estatais brasileiras, as principais credoras da Varig, passaram a facilitar o pagamento de dívidas da empresa aérea para aliviar a situação financeira da empresa.
O alívio para o pagamento das dívidas foi determinado por ministros do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, depois da apresentação da proposta da TAP para recuperação da Varig, no dia 02 de Junho, em Brasília.
A proposta foi apresentada aos ministros pelo administrador- delegado da TAP, Fernando Pinto, e pelo presidente do conselho da Varig, David Zylbersztajn.
As principais empresas estatais brasileiras credoras da Varig são a Infraero, responsável pelo controlo dos aeroportos, a Petrobras e o Banco do Brasil.
As dívidas da Varig com a Infraero ascendem a cerca de 132 milhões de reais (44 milhões de euros).
As dívidas da Varig com a BR Distribuidora, subsidiária da Petrobras, ascendem a cerca de 40 milhões de reais (13,3 milhões de euros).
A direcção da Varig tenta ainda acelerar o recebimento de uma indemnização de 4,5 mil milhões de reais (1,5 mil milhões de euros) do Governo brasileiro.
A indemnização já determinada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), em Brasília, refere-se ao prejuízo causado à Varig pela proibição de aumentos das tarifas determinada pelo Governo brasileiro, entre 1985 e 1992.
Actualmente, a brasileira Varig detém uma frota de 82 aeronaves para transporte de passageiros, todas arrendadas em contratos de leasing com empresas estrangeiras.
No ano passado, a empresa transportou cerca de 13,8 milhões de passageiros.