TAP diz que "não fez mal nenhum" a ex-CEO e vai continuar a contestar processo
O presidente executivo da TAP afirmou hoje que a companhia aérea "não fez mal nenhum" à ex-presidente executiva Christine Ourmières-Widener e garantiu que a empresa vai continuar a contestar o processo interposto pela antiga gestora.
Questionado sobre a disponibilidade da companhia para um acordo antes do início do julgamento, Luís Rodrigues começou por explicar que "a coisa não pode ser posta assim", ao falar aos jornalistas à margem da apresentação do plano estratégico para 2026 na Better Tourism Lisbon Travel Market (BTL).
"O que a companhia aérea diz é o seguinte: A companhia aérea não fez mal nenhum à senhora engenheira Christine Ourmières-Widener. Portanto, não aceita que haja um processo contra a própria companhia e é contra isso que vamos continuar a lutar", declarou.
Numa entrevista recente, Christine Ourmières-Widener afirmou estar disponível para um acordo com a companhia aérea antes do julgamento, referindo que nunca houve essa abertura por parte da empresa.
Confrontado com essas declarações, o presidente executivo da TAP Air Portugal reiterou a posição da transportadora de que não reconhece fundamento ao processo.
Em causa está a ação interposta por Christine Ourmières-Widener, que contesta a exoneração por justa causa anunciada em março de 2023 pelo Governo, na sequência do parecer da Inspeção-Geral de Finanças sobre a indemnização de 500 mil euros paga a Alexandra Reis.
A antiga gestora da TAP pede uma indemnização de 5,9 milhões de euros, valor que é contestado pela companhia aérea.
Os cálculos da ex-CEO incluem os montantes que considera ter direito até ao final do contrato (em 2025) e prémios de desempenho após ter levado a TAP a alcançar lucros em 2022 - o que já não acontecia há cinco anos -, e ter antecipado em quase três anos as metas estabelecidas no plano de reestruturação acordado com Bruxelas.
Além disso, inclui uma parcela por ter sido destituída sem o cumprimento do pré-aviso de 180 dias e por danos reputacionais.
Já as contas da TAP, conhecidas na argumentação da defesa em janeiro de 2024, apontam para a soma total de 432 mil euros.