Taxa de desemprego estrutural atinge 11,8% em 2011 - Governo
Lisboa, 19 jun (Lusa) -- A taxa de desemprego estrutural em Portugal terá atingido os 11,8 por cento em 2011, um dos "maiores valores de que há memória", segundo um documento do Governo hoje divulgado.
De acordo com o estudo "A Evolução Recente do Desemprego", após um período de "estabilização" da taxa de desemprego estrutural na década de 1990, em torno dos 5,5 por cento, esta terá aumentado para 8,5 por cento, em média, na década seguinte, estimando-se que, em 2011, tenha atingido os 11,8 por cento.
A taxa de desemprego estrutural corresponde ao nível de desemprego que prevalecerá na economia mantendo-se as suas características estruturais, em particular as relativas ao mercado do trabalho e do produto. Reflete também a inadequação entre a procura de trabalho das empresas e o nível de aptidões e localização dos trabalhadores que procuram emprego.
"Este substancial agravamento do desemprego estrutural decorre dos efeitos de ampliação de elementos de rigidez no mercado de trabalho no contexto da recessão e crise de sobreendividamento que Portugal está a viver", refere o Governo, acrescentando que "o desemprego de longa duração merece particular atenção, quer pelos custos sociais que acarreta, mas também pela perda de capital humano com reflexos importantes no potencial de crescimento da economia, contribuindo assim para o aumento do desemprego estrutural".
Também a evolução da taxa de desemprego, em termos globais, "atingiu valores historicamente elevados nos últimos anos". O Executivo justifica esta tendência de subida com "as características do atual processo de ajustamento que a economia portuguesa está a atravessar", a par da "forte contração da atividade económica" e "do processo de desalavancagem associado às restrições de financiamento das empresas, o que amplia os efeitos sobre o emprego e o desemprego".
O processo de "rebalanceamento" na economia portuguesa do setor de bens não transacionáveis para o setor de bens transacionáveis é também apontado no estudo como fator que contribui para o agravamento do desemprego, em particular nos setores da construção e imobiliário.
Neste contexto, o Governo prevê que a taxa de desemprego atinja os 15,5 por cento em 2012 (contra os 14,5 por cento anteriormente previstos) e 16 por cento em 2013 (contra 14,1 por cento estimados pelo Executivo para o próximo ano).
De acordo com o Instituto Nacional de Estatística (INE), no primeiro trimestre deste ano a população ativa foi estimada em 5.481,7 pessoas, uma diminuição de 1,3 por cento face ao trimestre homólogo (menos 73,1 mil pessoas) e de 0,5 por cento face ao trimestre anterior (menos 24,8 mil pessoas).
Por grupos etários, e em termos homólogos, observou-se um aumento da população ativa dos 35 aos 44 anos e uma quebra nos restantes grupos, com principal destaque para os dos 25-34 anos (menos 56,9 mil pessoas).
Por nível de escolaridade, o número de ativos com os níveis de escolaridade correspondentes ao ensino secundário e pós-secundário ou superior aumentou face ao trimestre homólogo (126,3 mil e 38,6 mil indivíduos, respetivamente).