Taxas a aço e alumínio dos EUA. O que vai fazer a União Europeia?

Os Estados Unidos começaram esta sexta-feira a impor taxas ao alumínio e ao aço provenientes da União Europeia, Canadá e México. Esta manhã, o ministro alemão da Economia afirmou que espera uma resposta decisiva da UE que faça os EUA refletir sobre a decisão tomada.

RTP /
A União Europeia é o segundo maior exportador de aço e alumínio para os EUA, logo a seguir ao Canadá Reuters

Peter Altmaier, ministro alemão das Finanças, afirmou que espera que "a resposta da União Europeia resulte num processo de reflexão nos EUA". Adiantou ainda que a União Europeia deve trabalhar em conjunto com o México e o Canadá em relação a esta decisão unilateral dos Estados Unidos.

Em março, Donald Trump tinha anunciado taxas de 25% sobre o aço e 10% sobre o alumínio, mas tinha isentado a União Europeia, o Canadá e o México. Uma exceção que expirou à meia-noite desta sexta-feira.

Wilbur Ross, secretário do Comércio dos EUA, afirmou que as conversações com a União Europeia ao longo dos últimos dois meses não avançaram o suficiente para manter a isenção.

"Queremos continuar as negociações com o Canadá e com o México, por um lado, e com a Comissão Europeia por outro, porque há problemas que precisamos de resolver", disse o responsável, sem esclarecer no entanto o que é que os países afetados poderiam fazer para levantar estas tarifas.

As palavras de hoje do responsável pela pasta da economia da Alemanha reforçam a posição avançada pela Comissão Europeia pouco depois do anúncio feito pela Administração Trump.

Em conferência de imprensa a partir de Bruxelas, Jean-Claude Juncker afirmou que é "totalmente inaceitável que um país esteja a impor medidas unilaterais quando se trata de comércio mundial. É um mau dia para o comércio global. Os Estados Unidos não nos deixam outra escolha senão prosseguir com um processo de resolução de disputas na OMC e com a imposição de taxas adicionais em várias importações norte-americanas”.

Também na quinta-feira, o presidente francês afirmou que a decisão de impor taxas à importação de aço e alumínio da UE é "ilegal e um erro" e que "Bruxelas vai responser de maneira firme e proporcional".

O Reino Unido declarou estar "profundamente dececionado" com esta alteração imposta por Donald Trump.

Apesar das palavras fortes de condenação, ainda não foi anunciado o que a União Europeia vai fazer em concreto.

De acordo com a BBC, a UE tem preparada uma lista com 10 páginas de tarifas retaliatórias para vários bens com origem nos EUA, que vão do ferro fundido ao feijão.
Portugal com posição critica sobre a decisão norte-americana

O Presidente da República criticou a posição de Donald Trump, realçando que se deve "pensar duas vezes" antes de se tomarem "medidas unilaterais que atingem o aliado". "Quando há regras que valem para todos e sempre, não é para valerem só para alguns e de vez em quando, senão não é possível haver regras no comércio internacional", disse Marcelo Rebelo de Sousa.

Para o chefe de Estado, "quando alguém é aliado de alguém deve pensar duas vezes quando toma medidas unilaterais que atingem um aliado" porque "mesmo quando se é muito forte, há de aparecer um dia na vida em que se precisa desse aliado. E é mau se antes não se tratou devidamente o aliado".

O Presidente da República está seguro que "a Europa está, estará e ficará unida perante desafios como esse".
Canadá retalia e impõe taxas aos bens dos EUA

Como esperado, o Canadá reagiu de imediato, com medidas em concreto. Vai impor impostos sobre bens norte-americanos no valor de 16600 milhões de dólares. "Estas tarifas são uma afronta à parceria de longa data que existe entre o Canadá e os Estados Unidos e, em particular, uma afronta aos milhares de canadianos que lutaram e morreram ao lado dos seus irmãos de armas", disse o primeiro-ministro do Canadá Justin Trudeau. "Devemos acreditar que, eventualmente, o bom senso triunfará, mas, infelizmente, as ações tomadas pelo Governo dos EUA não parecem ir nessa direção".

De acordo com o executivo canadiano, as novas taxas, que entram em vigor a partir de 1 de julho, vão afetar as importações norte-americanas de aço e alumínio, mas também bens de consumo como iogurtes, café, açúcar, papel higiénico, máquinas de lavar e cortadores de relva.
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