Telefónica dá como certa a compra da Vivo
Após a recusa da PT face à primeira oferta da Telefónica de 5700 milhões de euros pela participação de 50 por cento na brasileira Vivo, os espanhóis voltaram à carga e subiram a parada em 800 milhões. O presidente da Telefónica, César Alierta, acredita que os accionistas não resistirão aos 6500 milhões em cima da mesa e o Governo português mantém-se para já à margem do negócio.
"Não temos nenhuma dúvida de que a Assembleia vai aceitar a oferta que é muito proveitosa para a PT e os seus accionistas e para a Telefónica", considerou Alierta, para qualificar a proposta de "impecável", correspondendo "a um nível de preços muito atractivos".
Num sinal da importância que representa o reforço da operação da Telefónica no Brasil, Alierta afirmou: "Consideramo-nos profundamente brasileiros. Estou certo que esta operação que apresentamos à PT será positiva e nos consolidará como primeiro operador num mercado de 200 milhões que tem um potencial de crescimento tremendo".
Governo mantém ‘golden share' no bolso mas diz-se alerta
Questionado sobre o reforço da oferta da Telefónica durante a visita a Marrocos, o ministro António Mendonça remeteu o andamento do negócio para o "domínio das relações entre as empresas".
Garantindo que "o Governo segue com atenção o que está a acontecer", o responsável pelas Obras Públicas, Transportes e Telecomunicações remete para mais tarde - caso seja considerado necessário - uma intervenção do Executivo, que tem ainda na manga uma ‘golden share' na PT.
Instado a esclarecer a dúvida crónica deste dossier, se o Estado utilizará a ‘golden share' para evitar que o controle da PT passe para mãos estrangeiras, António Mendonça reafirmou que para o Governo "aquilo que tiver que ser dito será dito em tempo oportuno".
"Neste momento o que está em curso é algo que deve ficar no domínio das relações entre as empresas, da relação entre as administrações. Quando for oportuno que o Estado intervenha, diga qualquer coisa, seguramente que isso será feito. Mas em tempo oportuno", reiterou o governante português em Marraquexe, à margem da Cimeira Portugal-Marrocos.
Mendonça vê na oferta reconhecimento do trabalho da PT
O ministro Obras Públicas, Transportes e Telecomunicações aproveitou ainda este reforço da oferta da Telefónica pela participação na Vivo para sublinhar que, antes de tudo, há aqui "o reconhecimento" pelo "trabalho absolutamente notável" da PT na operadora brasileira.
"O que está em curso neste momento é o reconhecimento da importância da PT, enquanto também empresa que projecta uma nova imagem do país, com inovação com capacidade tecnológica", assinalou António Mendonça, para considerar a Portugal Telecom "uma empresa de referência, quer em Portugal quer a nível internacional, uma empresa inovadora que promove a investigação".
No Brasil é apontada a Oi como possível interesse da PT
Vendo esta guerra como o fim das relações entre PT e Telefónica, a imprensa brasileira aponta uma entrada na Oi, maior operadora brasileira de telefonia, como a "saída honrosa" para a Portugal Telecom depois de ceder a sua posição na Vivo aos espanhóis.
Esta operadora tem mais de 62 milhões de utilizadores em todos os estados brasileiros, sendo a maior empresa brasileira de telecomunicações e pioneira na prestação de serviços convergentes, com actuação em telefonia (fixa e móvel), Internet e TV a cabo.
A Oi encerrou as contas de 2009 com uma carteira de 21,3 milhões de utilizadores em telefonia fixa, 36,1 milhões em telefonia móvel, 4,2 milhões em banda larga e 234 000 em TV por assinatura. A facturação do ano passado foi de 20,3 mil milhões de euros.
A empresa é detida pela holding Telemar Participações, controlada a 100 por cento por grupos brasileiros (Andrade Gutierrez e La Fonte), fundos de pensão de empresas estatais e o banco estatal BNDES (maior accionista com 25%).