Economia
"É preciso colocar a marca Ronaldo acima do jogador Cristiano Ronaldo"
Carlos Brito, presidente da Ordem dos Economistas do Norte, considera que a marca "fortíssima" de Cristiano Ronaldo pode ser extremamente valiosa para Portugal e vai exigir "muita negociação que não se compadece com os estados emocionais" que vivemos agora, com o abandono de Ronaldo do estágio da seleção. "Não é pelos minutos em campo" que Ronaldo fará a diferença, porque "agora, a marca vale mais do que o jogador", assegura.
Entrevistado na RTP Notícias, Carlos Brito responde à pergunta que formula: como é que Portugal pode tirar partido do valor da marca Ronaldo? Dá três caminhos: na promoção do campeonato do mundo em que Portugal é um coorganizador, no exemplo de trabalho que dá aos jovens e no exemplo de ambição que falta aos portugueses em geral.
“Não é continuando a utilizar Cristiano Ronaldo – e é preciso que ele se convença disso - como era utilizado há 10 anos que ele vai valorizar”, diz o presidente da Ordem dos Economistas do Norte. “Não é pelos minutos em campo”, acrescenta.
“É preciso colocar a marca Ronaldo, que vale muito, acima do jogador Cristiano Ronaldo, que já não vale tanto”, frisa Carlos Brito.
“A última coisa que nos passa pela cabeça é que Cristiano Ronaldo estivesse fora da promoção da imagem de Portugal no âmbito do campeonato do mundo”, admitindo que poderá ter de haver negociações nesse sentido.
"É Portugal que mais perde" com uma saída da seleção, diz.
O economista elenca três fases. Num primeiro momento, no início da carreira, a marca valia mesmo do que o jogador em ascensão. Depois, no apogeu da carreira, marca e jogador tinham valores próximo e um "alimentava" o outro.
"Agora já não é assim. Agora, a marca vale muito mais do que o jogador. A marca é fortíssima. O jogador já não é. A performance do jogador em campo não é equivalente à força da marca de Cristiano Ronaldo", salienta.