Tesouro Público espanhol coloca 2.220 ME, paga a 5 anos juro mais alto desde 1997
Madrid, 21 jun (Lusa) -- O Tesouro Público colocou 2.220 milhões de euros em títulos e obrigações a dois, três e cinco anos, subindo os juros, que no caso do prazo mais alargado atingiu os 6,0 por cento, o mais elevado desde 1997.
Em concreto, colocou 602 milhões de euros com vencimento em 2017 a um juro de 6,072 por cento, muito acima dos 4,960 por cento do leilão equivalente anterior.
Além disso, colocou 700 milhões com vencimento em 2014 com o juro a mais que duplicar, de 2,069 por cento para 4,706 por cento.
Emitiu ainda 918 milhões de euros com vencimento em 2015, pelo qual pagou um juro médio de 5,547 por cento, face ao 4,876 por cento anterior.
Foi a segunda operação de colocação de dívida esta semana, depois de na terça-feira ter colocado mais de 3.000 milhões de euros em títulos a 12 e 18 meses.
A operação de hoje decorreu depois do risco da dívida espanhola - medido pelo diferencial entre os títulos espanhóis e alemães a 10 anos - ter registado, na quarta-feira, a maior queda do ano.
Os juros a 10 anos também caíram, pela primeira vez em vários dias, abaixo dos 7,0 por cento, numa tendência impulsionada por rumores de uma possível operação de compra massiva de dívida espanhola e italiana pelos fundos europeus de resgate.
Apesar do desmentido de Bruxelas, a notícia alimentou na quarta-feira o comportamento dos mercados secundários, com o diferencial entre os títulos espanhóis e alemães a 10 anos a cair para 511 pontos base.
A última vez que o risco da dívida espanhola caiu mais de 30 pontos foi em dezembro, depois do Banco Central Europeu (BCE) ter anunciado o seu programa de liquidez para a banca europeia.
Os mercados estão também hoje atentos à previsível divulgação dos relatórios de duas consultoras contratadas pelo Governo para avaliar o sistema financeiro, algo que deverá ocorrer depois do fecho do mercado.
O Governo espanhol pediu às consultoras Oliver Wyman e Roland Berger que analisem as carteiras de créditos da banca perante dois cenários - um em `stress` e outro com hipóteses macroeconómicas adversas, estudo que deverá ser entregue na quinta-feira.
Dados desses relatórios serão fundamentais para o Governo determinar o volume total de apoio que solicitará à Europa no âmbito do resgate à banca acordado com Bruxelas e que pode chegar aos 100 mil milhões de euros.
Estimativas do setor apontam para que o valor global de ajuda se cifre entre 60 e 70 mil milhões de euros.