Têxtil admite pagar uma taxa mas rejeita alteração das rendas à cogeração
Lisboa, 14 mar (Lusa) -- A indústria têxtil com cogeração está disponível para pagar "uma taxa extraordinária durante o período de assistência financeira", mas rejeita uma alteração das rendas à produção contratualizada, que diz por em causa competitividade do setor.
"Assumimos a disponibilidade para pagar uma taxa extraordinária durante o período da assistência financeira[a Portugal], atendendo à situação económica e financeira", afirmou à Lusa Carlos Almeida Santos, presidente da Somelos, que representa o grupo da indústria têxtil com cogeração, adiantando que a proposta foi apresentada ao Ministério da Economia.
Em declarações à Lusa, Almeida Santos defendeu que "não se pode mexer nos contratos só por mexer", realçando que "nem sequer se trata de um problema de direitos adquiridos".
"O Governo está ciente disso, mas está a ser muito pressionado", declarou, realçando que "a indústria têxtil está muito ligada à cogeração, porque é uma indústria consumidora de muita energia e colocar essa ligação em perigo é extremamente delicado".
"O apoio [à cogeração] é uma mistificação. Está a tentar-se inverter a lógica, porque não se fala dos custos que são evitados para o país", defendeu, realçando que "melhora a eficiência energética do país".
O empresário admite que "os sobrecustos são postos na fatura dos contribuintes, mas não se pode ver este fator avulso", considerando que "há quem esteja interessado em criar nuvens".
Almeida Santos explicou que há cerca de 45 empresas têxteis com cogeração, que representam cerca de 15 por cento deste tipo de unidades existentes em Portugal, sublinhando que "a têxtil é uma indústria altamente exportadora e ter cogeração melhora a sua competitividade".
Se as cogerações pararem, um dos riscos possíveis resultantes da alteração das tarifas, adianta, "a indústria vai ter que importar mais gás natural, criando um problema de eficiência energética ao país".
No memorando de entendimento com a `troika`, o Governo comprometeu-se a corrigir as rendas excessivas no regime especial, que abrange a cogeração e as renováveis, bem como no regime ordinário (CMEC, CAE e mecanismo de garantia de potência), medidas que o ministro da Economia Álvaro Santos Pereira, já disse que serão cumpridas, depois de ter sido anunciada a saída de Henrique Gomes do cargo de Secretário de Estado da Energia.
Henrique Gomes foi substituído na terça-feira por Artur Trindade, ex-diretor da Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos.
A Lusa contactou o Ministério da Economia, que tem a tutela da Energia, mas até ao momento não obteve esclarecimentos.