TGV na Gare do Oriente pode ser um problema para Lisboa

Lisboa, 08 Out (Lusa) - O especialista em transportes Fernando Nunes da Silva, do Instituto Superior Técnico, criticou hoje a escolha da Gare do Oriente como porta de entrada do comboio de alta velocidade (TGV) em Lisboa, considerando que pode transformar-se num problema futuro.

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"A alta velocidade é muito importante mas não devia fundamentar a entrada na área de Lisboa pelo buraquinho que é a Gare do Oriente. O ponto de chegada [do TGV] deve ser difusor no sistema de transportes urbanos e suburbanos e esta não é a melhor opção", afirmou Nunes da Silva, que falava no primeiro de um ciclo de colóquios promovidos pela Fundação Cidade de Lisboa sobre a competitividade da capital.

"Mesmo com o metro, estamos a falar numa só linha e com problemas que não se sabe muito bem como se vão resolver", disse o especialista, que defendeu que a opção pela Gare do Oriente "terá custos inimagináveis".

"Já não falo em Chelas mas porque não voltar à zona do Rego, com a saída do hospital e a libertação desses terrenos", questionou.

Sublinhando a importância de actuar ao nível do sistema de transportes para aumentar a competitividade de Lisboa, Nunes da Silva considerou igualmente "essencial" a ligação Algés/Trafaria.

Na sua intervenção, o vereador do Urbanismo da Câmara de Lisboa, Manuel Salgado, defendeu que para `dar o salto` Lisboa tem de apostar no repovoamento, lembrando que a capital perdeu, em 30 anos, 30 por cento da população.

"Lisboa tem de apostar em ser repovoada mas sem pôr em causa a sua sustentabilidade", disse Manuel Salgado, que considerou os novos equipamentos a instalar na cidade como o Instituto Português de Oncologia (IPO) e o Hospital de Todos os Santos, assim como as grandes infra-estruturas como a terceira travessia, o novo aeroporto e a conclusão da Circular Regional Interna de Lisboa (CRIL) como oportunidades para a cidade ganhar competitividade.

"Estamos num período crítico e o clima é de pânico em termos imobiliários. A própria crise energética obriga a pensar o futuro", disse Salgado, para quem Lisboa está agora "num plano de viragem".

SO.


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