Trabalhadores da antiga fábrica Vestus estão há 10 anos à espera das indemnizações
Seixal, 26 mai (Lusa) - Os 414 trabalhadores da antiga fábrica Vestus, em Santa Marta de Corroios, Seixal, estão há 10 anos à espera de receber as indemnizações pelo encerramento da unidade têxtil e hoje saíram à rua em protesto.
Os trabalhadores e familiares juntaram-se em protesto nas imediações das instalações da antiga fábrica têxtil, que encerrou no dia 10 de junho de 2002, com a PSP a cortar mesmo a estrada por razões de segurança.
"O processo está no Tribunal do Comércio. Já lá fui várias vezes, a última das quais na segunda-feira, e disseram que o processo estava na mesa da juíza há ano para assinar e dar despacho às indemnizações a que temos direito", disse à Lusa Deolinda Maia, antiga funcionária da Vestus.
A ex-funcionária, que esteve na empresa 37 anos, desde a sua abertura até ao encerramento, referiu que, depois de a fábrica encerrar, foram vendidas as instalações e o recheio, que renderam cerca de três milhões de euros, tendo os trabalhadores recebido apenas cerca de seis mil euros cada do fundo de garantia salarial.
"O dinheiro da venda da firma e do recheio que está nos bancos é de quase três milhões de euros, mais os juros. A indemnização a receber depende dos anos de casa destes 414 trabalhadores, mas é muito tempo à espera e com esta ação queremos chamar a atenção de quem está a tratar do assunto", referiu.
Deolinda Maia lembrou que a maioria dos funcionários eram mulheres, muitas das quais já faleceram sem receber o dinheiro devido, existindo casos de pessoas que passam por dificuldades.
"Existem pessoas que não têm emprego e que precisam de pagar creches, casas e contas. São situações desesperantes", disse.
Elisabete Laranjeira é uma das pessoas que passa dificuldades, pois está desempregada e o seu marido está em casa, depois de a empresa em que trabalha entrar em lay-off.
"Estamos em casa com dois filhos para criar e com despesas certas todos os meses. O dinheiro está retido e faz muita falta às pessoas. Com 14 anos de fábrica, tenho cerca de 15 mil euros a receber, mas existem pessoas que têm mais de 30 mil. O dinheiro é nosso e existem até colegas com a casa penhorada", referiu à Lusa.
A antiga funcionária garantiu que os trabalhadores vão realizar um protesto junto ao Tribunal do Comércio se o processo não avançar nos próximos meses.
"Se até as férias judiciais não tivermos uma resposta, em setembro vamos para a porta do tribunal em protesto. Tudo funciona mal no país, em especial a justiça, e dez anos é muito tempo de espera", concluiu.