Trabalhadores da Eurospuma protestam na Câmara de Espinho contra congelamento salarial
Espinho, Aveiro, 17 jun (Lusa) - Trabalhadores da empresa Eurospuma concentraram-se hoje na Câmara de Espinho em protesto contra o congelamento salarial e a tentativa de a administração "prolongar a situação" mudando o acordo coletivo de trabalho do setor químico para o da cordoaria.
Justino Pereira, porta-voz dos cerca de 40 manifestantes, realçou que o total de operários insatisfeitos ronda os 100, constituindo assim o grosso da equipa produtiva da empresa, que envolve um universo global de 180 funcionários.
"Estamos a reivindicar que sejam salvaguardados os direitos do acordo coletivo de trabalho da Química e haja aumentos salariais", declarou o dirigente do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Energias e Atividades do Ambiente do Centro e Norte (SITE-CN).
Vítor Silva, um dos trabalhadores em protesto, está ao serviço da Eurospuma há 28 anos e explicou as consequências implícitas na mudança visada com a alteração contratual: "Estamos há 10 sem aumentos salariais, mas, se nos mudarem a legislação contratual, o que vão fazer é prolongar a situação e ainda ficamos em situação pior, porque a melhor categoria profissional da Cordoaria é a pior da Química".
Para Justino Pereira, não há justificação para os administradores da Eurospuma não atualizarem salários há 10 anos, considerando que "em 2014 a empresa teve mais três milhões de euros em vendas relativamente a 2013", encontrando-se em situação "estável".
Além disso, a firma ainda recentemente "aumentou instalações e recebeu apoios do QREN [Quadro de Referência Estratégico Nacional]" com vista ao aumento da produção e ao recrutamento de mais pessoal.
O sindicalista do SITE-CN critica, por isso, que, no ano passado, a Eurospuma tenha destinado "4.000 euros para aumentar só 10 funcionários dos quadros médios e intermédios, sem ter em consideração que, se fosse a dividir esse dinheiro por todos os trabalhadores, teria dado quase 23 euros a cada um, o que já não era mau".
"É tudo por uns e nada por outros", lamenta Rita Manuela, que trabalha na empresa há 45 anos, desde os 14 de idade. "Cresceram com o nosso trabalho e agora somos arrumados para canto, como se não valêssemos nenhum", acrescenta.
Os cerca de 40 manifestantes da Eurospuma reuniram-se com o presidente da autarquia ainda durante a manhã, após o que Pinto Moreira se manifestou "sensibilizado" para o problema, comprometendo-se a "transmitir as preocupações dos trabalhadores à administração da empresa".
Para o BE, que já questionou o Ministério da Economia e também o da Segurança Social e Emprego quanto ao problema, "é necessário que as entidades públicas investiguem a situação e garantam o respeito pelos direitos dos trabalhadores".
"A faturação da Eurospuma distribui-se da seguinte forma: espumas, [a representarem] 60%; matérias-primas para colchões, edredons e almofadas, em 30%; e produtos acabados ligados aos têxteis para lar, em 10%", nota o partido em comunicado. "Como se percebe, a mudança do Código Coletivo de Trabalho é um mero expediente que visa atacar os direitos dos trabalhadores, dado que a faturação da empresa é largamente maioritária no setor químico", sintetiza.
Contactada pela Lusa, a administração da Eurospuma informou que não presta declarações sobre o assunto.