Trabalhadores da Marividros deslocam-se ao Governo Civil Leiria
Os trabalhadores da cristaleira Marividros, da Marinha Grande, parada desde segunda-feira, deslocam-se quarta-feira à tarde ao Governo Civil de Leiria na esperança de serem recebidos pelo governador civil, disse à agência Lusa fonte sindical.
"Pedimos a reunião ao governador civil, mas ainda não sabemos se vamos ser recebidos", disse aos jornalistas Etelvina Rosa, dirigente do Sindicato Vidreiro, em frente dos portões da empresa, onde também se encontravam 30 dos 95 trabalhadores da unidade.
Desiludidos e desanimados, os trabalhadores fazem contas à vida, depois de terem sabido do pedido de insolvência apresentado em tribunal e de constatarem o abandono da gerência, na segunda-feira.
"Se houvesse problemas, eles (gerência) sempre nos disseram que seríamos os primeiros a saber", ouvia-se entre os trabalhadores, que agora apenas cumprem os horários de trabalho, mas apenas com medidas de manutenção.
"Vamos tentar que o tribunal considere o pedido de insolvência com carácter de urgência, para que possa ser nomeado rapidamente um gestor judicial", disse Etelvina Rosa, a qual considera que, "se isso acontecer, poderá ser conseguido no prazo de uma semana, uma semana e meia".
Da parte da gerência, só é conhecido um fax enviado ao Sindicato Vidreiro, no domingo à noite, que expressa as dificuldades da manutenção da laboração e a uma dívida global "na ordem dos sete milhões de euros, entre trabalhadores, fornecedores, banca e entidades estatais".
Aos trabalhadores, a empresa, que pagou o mês de Abril, deve o subsídio de Natal de 2004.
Do rol de problemas enunciados pela gerência da Marividros no documento enviado ao Sindicato, e a que a Lusa teve acesso, sublinham- se os aumentos "da energia, das matérias-primas, dos transportes e a falta de encomendas".
Dificuldades também sentidas pelos próprios trabalhadores, que já não acreditam na viabilidade da empresa nem do sector cristaleiro.
"O vidro, neste momento, não tem futuro", disse à Lusa Aurélio Rosa, de 46 anos de idade e 33 de profissão, confidenciando já ter visto "este filme várias vezes", uma vez que passou pelas crises das já falidas Manuel Pereira Roldão e Ivima.
Também Virgílio Febra, oficial vidreiro com 57 anos de idade e 44 de sector, não acredita na viabilidade da empresa, justificando "que as dificuldades não são só da Marividros mas de outras empresas".
"Se calhar o meu futuro passa por procurar outra profissão", admite, por sua vez, Carlos André, de 39 anos de idade e "21 anos de Marividros", também ele pouco crente no futuro do sector cristaleiro.