Trabalhadores da Prégaia na Maia mantêm-se na empresa até terem garantia de salários
Maia, Porto, 22 jan (Lusa) - Trabalhadores da Prégaia -- Prefabricados continuam hoje concentrados à porta da empresa, na Maia, para impedir a saída de camiões das instalações até terem garantias do pagamento dos salários em atraso, disse à Lusa um dos funcionários.
"Vamos manter-nos aqui até o problema ficar resolvido, ou seja, até que os camiões sejam descarregados ou até haver garantias de que o [dinheiro do] material vendido é para nós", afirmou Vítor Brandão, trabalhador da empresa que já pediu insolvência.
"Se os camiões tentarem sair, fazemos um cordão humano, deitamo-nos no chão... Se passarem por cima de um de nós, paciência", avisou Ricardo Silva, outro funcionário, em declarações à Lusa.
O trabalhador de 31 anos, empregado na Prégaia desde 2004, explicou que, pelas 17:00 de quarta-feira, a PSP quis desimpedir os portões tapados pelos carros dos funcionários e que estes acederam ao pedido com a garantia de que tal não viabilizaria a saída dos camiões.
"Tiramos os carros, mas continuamos aqui e os camiões estão retidos dentro da empresa. Ordeiramente desimpedimos a passagem, mas os camiões não saíram", esclareceu.
De acordo com Ricardo Silva, o problema dos salários em atraso envolve cerca de 50 trabalhadores e começou quando a empresa "deixou de pagar o subsídio de alimentação e outros subsídios", depois "começou a pagar os ordenados em duas vezes e, neste último ano, não pagou nenhum dos dois subsídios nem o mês de novembro e dezembro".
"Mandámos uma obra para a Argélia e mandaram três contentores de uma vez. Diziam que na primeira ou segunda semana de dezembro caía cá [o dinheiro], mas até agora nada, pelo menos no bolso dos trabalhadores", descreveu Ricardo Silva.
Nove funcionários estão "com baixa de longo prazo", acrescentou.
"É o caso da técnica oficial de contas, que está de baixa desde junho e já foi substituída duas ou três vezes", observou Ricardo Silva, destacando estar em causa uma empresa que já foi "uma das melhores de pré-fabricados a nível nacional".
Já Vítor Brandão, contatado pela Lusa pelas 13:30, descreveu que estava "calmo" o ambiente à porta da empresa que já pediu insolvência em tribunal os camiões continuavam dentro das instalações e a administração ainda não tinha contatado os funcionários.
Os trabalhadores da Prégaia -- Prefabricados estão desde quarta-feira concentrados à porta da empresa.
Albano Ribeiro, presidente do Sindicato da Construção do Norte, esclareceu estarem em causa "salários em atraso, alguns quatro meses", vincando que os trabalhadores "não vão deixar que os bens da empresa saiam das instalações para serem vendidos".
Segundo o sindicalista, a Prégaia, "que se afirmou ao longo de décadas como sendo a melhor empresa na prefabricação de betão, não cumpre com os seus compromissos para com os trabalhadores e agora o administrador tem dois camiões carregados de materiais que quer tirar da empresa para vender".
O Sindicato "concorda com a venda dos materiais da empresa, mas apenas se for para pagar aos trabalhadores", estimando que estejam em atraso cerca de 300 mil euros.
De acordo com Albano Ribeiro, já pedida a insolvência da Prégaia mas o Plano de Revitalização não tem sido cumprido.