Trabalhadores do Arsenal do Alfeite rejeitam privatização do estaleiro

O trabalhadores do Arsenal do Alfeite manifestaram-se, em Lisboa, contra a privatização do estaleiro e contra o "silêncio do Governo" que, dizem, recusa a participação da comissão de trabalhadores no processo.

Agência LUSA /

A manifestação, em frente ao Ministério da Defesa Nacional, contou com a participação de cerca de 450 trabalhadores do estaleiro, segundo fonte da PSP.

Carlos Godinho, da comissão de trabalhadores do Arsenal do Alfeite, afirmou à Lusa que "a principal exigência é a participação dos trabalhadores no grupo de trabalho que está a fazer o projecto de reestruturação do Arsenal e no encontro das soluções que irão determinar o futuro do Estaleiro".

Segundo o trabalhador, se o Arsenal for transformado numa Sociedade Anónima, "sai do âmbito da função pública e ficará a cargo de uma holding do Estado (a EMPORDEF), que determinará as suas funções futuras e o deixará à mercê dos interesses privados nas áreas que estes acharem lucrativos".

Arménio Carlos, coordenador dos sindicatos de Lisboa e membro da CGTP, disse à Lusa ser necessário "exigir respostas por parte do Governo e mostrar que os trabalhadores têm propostas válidas para uma solução para a empresa".

Considerou "inadmissível que, ao longo de dois anos, o Governo se tenha recusado a receber os trabalhadores para lhes falar sobre o futuro do Arsenal do Alfeite".

Defendeu ainda que, "pelo potencial técnico e pela competência dos trabalhadores, [o Arsenal] não deve ser privatizado, mas sim apoiado e financiado de maneira a poder desenvolver tanto os serviços de manutenção prestados à nossa Marinha como outros, de construção e reparação de navios".

Rogério Caeiro dirigente sindical do Sindicato dos Trabalhadores dos Estabelecimentos Fabris das Forças Armadas (STEFFA) salientou a revolta dos trabalhadores em relação ao salário ganho pelo responsável pelo estudo de reestruturação do Arsenal do Alfeite, 95 mil euros em cerca de quatro meses, que, segundo o sindicalista, constitui "um desrespeito pelos trabalhadores".

A resolução apresentada e votada por unanimidade pelos trabalhadores e pelos seus órgãos representativos apela ao Governo para que este garanta estabilidade e futuro para o Arsenal e adopte uma política de gestão de recursos humanos que torne o estaleiro mais produtivo.

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