Trabalhadores do Casino Estoril vão acampar frente à porta

Centenas de trabalhadores planeiam acampar frente à entrada principal do Casino do Estoril quando este abrir as portas ao público, às 15:00, como forma de protesto contra o acordo de empresa, disse à Agência Lusa fonte laboral.

Agência LUSA /

Clemente Alves, da Comissão de Trabalhadores do Casino do Estoril, referiu que a adesão dos trabalhadores à greve tem sido "muito elevada" e que no primeiro dia (sexta-feira) atingiu valores na ordem dos 95 por cento.

Na noite de sábado - que terminou na madrugada de hoje -, os níveis de adesão baixaram um pouco, mas mantiveram-se elevados em algumas salas como a dos jogos tradicionais.

"Das 32 roletas que existem numa sala de jogos tradicionais, apenas três estiveram em funcionamento", disse a mesma fonte.

Estes números foram, no entanto, desmentidos pela administração do Casino do Estoril, garantindo que, na noite de sábado, foram batidos recordes de jogo.

Assis Ferreira disse à Lusa que os níveis de adesão apresentados pelas estruturas sindicais não correspondem à realidade e nem os serviços, nem os clientes foram afectados pelo protesto.

Segundo Clemente Alves, a greve só não está a ter mais impacto devido à "contratação ilegal de trabalhadores não qualificados", uma afirmação prontamente desmentida por Assis Ferreira.

"Tendo em conta a especificidade do jogo, jamais poderíamos substituir trabalhadores", disse.

Relativamente a outros sectores, como o da restauração, Assis Ferreira admite que existiu recurso a trabalhadores extra, mas apenas porque na noite de sábado ocorreu uma gala e, nestes acontecimentos, "é comum requisitar outros trabalhadores".

Clemente Alves acusa mesmo a administração da empresa de estar a utilizar trabalhadores "sem qualificação, indocumentados e sem qualquer experiência, como trabalhadores dos serviços municipalizados (recolha do lixo)".

No Casino do Estoril trabalham cerca de 800 pessoas, das quais cerca de 600 estão a aderir ao protesto, segundo dados da Comissão de Trabalhadores.

O nível de adesão avançado pelo sindicato não espanta a administração: "Não conheço nenhuma estrutura sindical que não apresente valores desta grandeza".

Sobre a concentração dos trabalhadores frente à porta principal do Casino do Estoril, Assis Ferreira diz apenas que esta atitude "mostra bem o que querem e o que são".

Na origem deste protesto está o acordo de empresa entre a administração do Estoril Sol, empresa que gere o Casino do Estoril, e a federação dos sindicatos, que defende uma convenção colectiva com a duração de três anos e com carácter renovável.

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