Trabalhadores do Minipreço acusam grupo Dia de "assédio" para forçar rescisões
Porto, 14 dez (Lusa) -- Três dezenas de trabalhadores dos supermercados Minipreço concentraram-se hoje no Porto para denunciar o "assédio" de que dizem estar a ser alvo com o objetivo de os "empurrar para a rescisão" e "facilitar o processo de franquia das lojas".
Em declarações à agência Lusa, Pedro Ramalho, do Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal (Cesp), afirmou que os funcionários do Minipreço [do grupo Dia Portugal] "têm sido transferidos de local de trabalho" e "pressionados a aceitarem desempenhar funções que não estão enquadradas na sua categoria profissional".
O objetivo da empresa, sustentou, é "empurrá-los para a rescisão e facilitar o processo de franquia das suas lojas", processo esse que teve início "há cerca de um ano e meio" e já levou à terceirização de "40% das lojas do grupo".
Contactada pela agência Lusa, fonte oficial da Dia Portugal assegurou que o grupo - que possui 620 lojas e emprega mais de 4.000 pessoas em Portugal - "cumpre com toda a lei laboral, inclusive na recolocação de pessoas noutras lojas do grupo".
"No processo de terceirização é feito um esforço de recolocar as pessoas dentro de outras unidades do grupo, para tentar garantir o pleno emprego", afirmou, embora admitindo que "nem todas estão ao lado de casa das pessoas, algumas estão um bocado mais longe".
Salientando que "o Minipreço tem como modelo de negócio em Portugal o `franchising`, portanto é normal que tenha muitas lojas franquiadas no país", a Dia Portugal explica que, "a partir do momento em que uma loja é terceirizada, tal obriga a uma recolocação dos funcionários". Contudo, assegura que "todos, com exceção de alguns que optaram pela rescisão do contrato, têm aceitado a recolocação".
Segundo o dirigente do Cesp, a Dia Portugal não tem, contudo, "colocação para os funcionários" das lojas que vão sendo `franchisadas`, pelo que têm sido afetados a novas funções ou transferidos para outras lojas do grupo, nalguns casos a uma distância insustentável, apenas para os "pressionar" a sair.
"Há trabalhadores que foram transferidos do Porto para Amarante ou Felgueiras [a cerca de 60 quilómetros] ", garantiu Pedro Ramalho, afirmando que, a nível nacional, "já se despediram dezenas" de funcionários.
Na loja da rua 05 de outubro, no Porto, que foi das últimas a ser franquiada e em frente à qual decorreu hoje a concentração de trabalhadores, o Cesp acusa a Dia Portugal de não ter "ouvido os representantes dos trabalhadores nem os trabalhadores sobre esta situação, que tanto os prejudica".
Considerando que esta atuação da empresa é "inaceitável", o sindicato diz que o "único objetivo" do grupo espanhol é "baixar os salários e retirar direitos aos trabalhadores", com vista ao "aumento dos lucros".
Ainda segundo o Cesp, "os trabalhadores das lojas, por falta de funcionários, estão, em muitos casos, a trabalhar 10 horas por dia, com uma folga por semana, ou seja, 50 ou 60 horas de trabalho semanal", sendo que "as filas nas caixas são enormes, por vezes com apenas uma caixa aberta, sinal de que as lojas estão reduzidas ao mínimo, com trabalhadores a menos e sujeitos a brutais ritmos de trabalho".