Trabalhadores rejeitam pré-acordo com a empresa

Os trabalhadores da Autoeuropa rejeitaram, por maioria, o pré-acordo para aumentar a flexibilidade laboral. O pré-acordo tinha sido estabelecido entre a administração da fábrica de Palmela e a Comissão de Trabalhadores e previa uma redução do pagamento do trabalho extraordinário em seis sábados por ano.

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António Chora, presidente da Comissão de Trabalhadores, defende que o mais importante é salvar os postos de trabalho Rui Minderico/Lusa

A Comissão de Trabalhadores ficou surpreendida com esta decisão dos funcionários, mas afirma que apesar deste resultado o mais importante é tentar salvar os 250 postos de trabalho que ficaram em risco depois desta rejeição.

"Nunca pensámos, sinceramente, que o acordo não passasse. Como Comissão de Trabalhadores só temos uma coisa em mente que é defender os postos de trabalho, os 250 trabalhadores contratados", afirmou António Chora, presidente da Comissão de Trabalhadores da Autoeuropa à RTP.

"Nós tínhamos a noção de que este pré-acordo era necessário para atravessar este momento de crise. E era necessário porque a própria casa-mãe tinha feito alguma pressão para que deixássemos de estar a produzir apenas 43 por cento da nossa capacidade e passássemos, num futuro breve, para uma produção mais alargada o que criaria muitos mais postos de trabalho", acrescentou.

Segundo António Chora, por esse motivo a Comissão de Trabalhadores "defendia este pré-acordo, desde que chegou a acordo com a administração, e defendemo-lo junto dos trabalhadores nos vários plenários".

O representante dos trabalhadores da Autoeuropa defende o mais importante é salvar os postos de trabalho e que "tudo o resto é neste momento secundário, seja trabalhar em turnos, seja o lay-off".

"Sabemos que tudo isso tem consequências económicas mais graves para os trabalhadores, do que teria o pré-acordo, mas os trabalhadores escolheram e a nós só nos compete executar aquilo que os trabalhadores decidiram", frisou.

No entanto, António Chora sublinha que de "uma coisa não abdicamos, mesmo apesar desta escolha, que é defender os 250 postos de trabalho e vamos fazer tudo para que continuem nesta empresa".

51,6 por cento dos trabalhadores votou contra pré-acordo
Dos 2.668 trabalhadores da Autoeuropa que votaram se aceitavam ou não a pré-acordo estabelecido entre a administração da empresa e a Comissão de Trabalhadores, 1.381 disseram que "não", contra 1.252 que votaram a favor. 28 votaram em branco e os outros sete votos foram nulos.

O pré-acordo laboral, que foi anunciado a cinco de Junho, foi previamente negociado entre a administração da fábrica de Palmela e a Comissão de Trabalhadores e previa uma redução no pagamento do trabalho em seis sábados por ano, desde que os trabalhadores já tivessem usufruído de mais do que os 22 dias sem produção (downdays) anuais.

O que representava que os trabalhadores, em vez de receberem os sábados a 200 por cento, com um acréscimo de 25 por cento por ano, como está previsto no acordo de empresa, passassem a receber seis sábados por ano como trabalho normal e a acumular seis horas positivas no "banco de tempo".

Com a aprovação do pré-acordo a administração da Autoeuropa garantia a permanência na empresa dos 250 trabalhadores contratados e a manutenção do trabalho em dois turnos.

Trabalhadores vão saber brevemente a decisão da administração

A administração da Autoeuropa esteve esta manhã reunida para analisar a recusa dos trabalhadores ao pré-acordo. Num comunicado divulgado no final da reunião os responsáveis pela fábrica de Palmela revelaram que "muito em breve irão comunicar as medidas tomadas" que têm como objectivo "responder competitivamente às oscilações do mercado".

"A administração da Volkswagen Autoeuropa continuará a esforçar-se por oferecer aos seus colaboradores as melhores condições possíveis no quadro altamente competitivo que hoje caracteriza a disputa pela produção de novos modelos entre todas as fábricas do grupo, assegurando o futuro da empresa", acrescenta o comunicado.

A administração recorda que no universo de 3.400 trabalhadores inscritos apenas 2.668 votaram.

A fábrica da Autoeuropa de Palmela representa o maior investimento estrangeiro realizado em Portugal, no valor de 1.970 milhões de euros, superando a Qimonda, e é considerada uma das maiores exportadoras nacionais.

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