Trabalhos de investigação científica em zonas mineiras revelados em Aljustrel
Aljustrel, Beja, 08 Mai (Lusa) - As mineiras que trabalharam nas minas da Panasqueira são "protagonistas" de um dos nove trabalhos de investigação científica que serão apresentados no quarto Encontro de Comunidades Mineiras, que começa sexta-feira, na vila alentejana de Aljustrel.
O encontro, que decorre até domingo, inclui o colóquio "Investigação Científica na área das Ciências Sociais e Humanas em zonas Mineiras", sábado, na Central de Compressores, onde nove cientistas sociais, portugueses e estrangeiros, vão apresentar investigações realizadas em zonas mineiras de Portugal e Espanha.
Entre os nove trabalhos, destaca-se o de Delfina Brás, "Houve mineiras!", sobre as mulheres que, até meados do século XX, trabalharam na extracção subterrânea nas minas da Panasqueira, no concelho da Covilhã.
O perfil psicológico da mulher mineira, os modos de vida e identidades sociais do Lousal mineiro, a evolução dos centros mineiros de Aljustrel e da Panasqueira, a familiaridade mineira luso-espanhola e a percepção social dos impactos da mineração em Aljustrel são outros dos trabalhos a apresentar.
Destaque também para a investigação da antropóloga Inês Fonseca sobre a "contradição de identidades" entre os "antigos mineiros", que continuam a considerar-se mineiros mesmo sem trabalhar nas minas, e os "novos mineiros", trabalhadores com outras categorias que trabalham em minas, mas não se consideram mineiros.
A apresentação deste trabalho "fará a ponte" para uma mesa redonda, através da qual cientistas sociais, antigos e actuais mineiros e sindicalistas querem saber se "Ainda há mineiros?".
Isto porque, segundo a organização do colóquio, actualmente, as concessionárias de minas subcontratam a exploração a empresas especializadas em sectores da construção civil e obras públicas, que não a exploração mineira, e os trabalhadores têm outras categorias profissionais e não são mineiros.
Projecção de filmes sobre comunidades mineiras, exposições, uma visita ao património mineiro de Aljustrel e um espectáculo de homenagem ao mineiro integram também o programa do encontro, que pretende "reforçar e promover a cultura e identidade mineiras" de Aljustrel, disse hoje à agência Lusa o presidente do município local, José Godinho.
O evento, organizado pela autarquia, em parceria com o Instituto de Engenharia, Tecnologia e Inovação, Sindicato dos Trabalhadores da Industria Mineira e Unidade de Arqueologia de Aljustrel, quer também "dar a conhecer a identidade das comunidades mineiras espalhadas pelo mundo".
Para "afirmar e perpetuar" a identidade mineira de Aljustrel, o município inaugura, sábado, às 18:00, um monumento de arte pública, instalado na rotunda em frente ao Parque de Feiras e Exposições.
Intitulada "Escultura de Afirmação da Identidade Mineira", a obra, uma estrutura em ferro com seis metros de altura, consiste na interpretação artística de um malacate mineiro, da autoria de Andreia Pereira, aluna da Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa.
A "Expomin", uma mostra documental de seis minas portuguesas e espanholas e de empresas, zonas mineiras e instituições ligadas ao sector, "Os três relevos", com pinturas de Eurico Reis que retratam a mina de Aljustrel, e uma exposição de artesanato de temática mineira, são as mostras do encontro.
Situada na Faixa Piritosa Ibérica, Aljustrel é uma vila marcada pela actividade mineira onde os vestígios de mineração são muito antigos, desde o tempo dos romanos até à época moderna.
LL.
Lusa/Fim