Transição para a China abriu "mercado enorme" para filatelia de Macau
A diretora dos Correios de Macau disse à Lusa que, após a transferência do território em 1999, a filatelia local ganhou novo ímpeto com a venda de emissões conjuntas com Hong Kong e a China.
A carteira de selos deste ano para o Ano Novo Lunar, emitida por Macau, Hong Kong e a China continental, com uma tiragem de cerca de 200 mil, esgotou mal foi lançada. Derby Lau Wai-Meng, diretora dos Correios e Telecomunicações (CTT) de Macau, admite que o ano do dragão, iniciado a 10 de fevereiro, é especial - o dragão é um símbolo da China - mas ainda assim há sempre procura pelo produto.
São colecionadores e vêm do interior da China, resume assim a responsável sobre os principais compradores, no mmomento em que os CTT de Macau assinalam 140 anos.
A venda de selos em Macau tem hoje um propósito diferente daquele que tinha em 1884, quando foi estabelecido oficialmente o serviço de correios local e lançado no território então administrado por Portugal o primeiro selo. Chamava-se `Coroa`, em homenagem à monarquia portuguesa. Estes pequenos pedaços de papel já não servem sobretudo o envio de correspondência, mas são antes objeto de investimento ou até possíveis `souvenirs`, explica a diretora.
O lançamento de coleções conjuntas com a China continental e Hong Kong, após a transição de Macau, em 1999, atraiu um "mercado enorme" ao território. "Uma pessoa que queira colecionar selos da China, tenta colecionar também os de Macau", diz.
A carteira de selos em homenagem à candidatura de Pequim à organização dos Jogos Olímpicos, lançada em 2001, inaugurou esta colaboração a três. Mas há outros exemplos: em 2004, nas celebrações do centenário do nascimento de Deng Xiaoping, a quem é atribuída a abertura económica da China, foi lançada nova coleção. Na versão de Macau, Deng aparece sentado ao lado de Ramalho Eanes, na de Hong Kong, antiga colónia britânica, está com Margaret Thatcher.
"Penso que [a filatelia] é uma característica muito forte de Macau", declara a diretora, que vê nesta minúscula forma de arte um meio para "apresentar a cultura, pessoas ou hábitos" locais. Além dos designers da casa, refere, os CTT trabalham frequentemente com artistas locais, como é o caso do português Hugo Víctor Marreiros ou Ung Vai Meng e Wilson Chi Ian Lam.
"Vende-se muito bem com a colaboração do continente", diz a responsável, admitindo a tradição de colecionar por parte da população chinesa. "Também temos alguns colecionadores chineses que não vivem no continente, mas na Europa, e mesmo em Portugal, continuamos a ter colecionadores portugueses, que talvez tenham vivido em Macau e tenham aquela ligação e paixão à terra", acrescenta.
A filatelia representa cerca de 10% das receitas dos CTT, embora este departamento já tenha contribuído bem mais para os cofres dos serviços postais: em 2015, realça Derby Lau, foi responsável por ganhos na ordem dos 350 milhões de patacas (40,1 milhões de euros), mais de metade das receitas dos correios nesse ano, 634 milhões de patacas (72,7 milhões de euros).