Transportadores avançam para paralisação nacional

A maioria dos mais de mil transportadores que estiveram reunidos na Batalha, para debater o elevado preço dos combustíveis, aprovou a paralisação do sector a partir das 00h00 de domingo e por tempo indeterminado.

Cristina Sambado, RTP /
João Abreu Miranda/LUSA

A maioria dos transportadores decidiu, também, criar uma comissão, externa à ANTRAM, para participar nas negociações que estão a decorrer com o Governo e que tem a próxima reunião agendada para a próxima quarta-feira.

“Esta comissão foi criada para demonstrar as reivindicações de todos os transportadores. Porque nós é que temos de pagar o gasóleo e os salários aos nossos motoristas”, afirmou à RTP José Dinis, um dos transportadores que integra a comissão.

“Nós precisamos da ANTRAM para chegar ao pé do Governo, porque não lhe podemos ir bater à porta. Nós podemos dar força à ANTRAM para que as nossas reivindicações sejam atendidas”, acrescentou.

“Vamos parar para que as nossas reivindicações sejam atendidas”, avançou.

Um dos transportadores presentes na reunião afirmou à RTP que vai parar “porque achamos que o Governo não considera. O primeiro-ministro está com uma teimosia incrível e não reconhece o erro que está a cometer”

“Ao continuar com este erro está a afundar os transportadores e a economia nacional”, acrescentou.

Com esta paralisação, os camionistas portugueses juntam-se assim aos seus colegas espanhóis que também vão parar na próxima segunda-feira.

ANTRAM mantém negociações com o Governo

A direcção da ANTRAM, Associação Nacional de Transportes Rodoviários Públicos de Mercadorias, não apoia esta paralisação e afirma que vai continuar a negociar com o Governo. António Mouosinho, presidente da ANTRAM chegou a abandonar a sala da Exposalão Batalha onde decorria a reunião.

Ao final do dia num comunicado a ANTRAN afirma “que segunda-feira será um dia normal de trabalho”, e acrescenta que “não está de acordo com a declaração de manifestações hoje tomada na Batalha”.

A ANTRAM justifica a sua posição argumentando que é “uma entidade de utilidade pública” e por estar actualmente em negociações com o Governo que ainda não estão esgotadas”.

Buzinão no Alto Minho

Cerca de quinhentos camionistas promoveram um buzinão entre Ponte de Lima e Viana do Castelo, para contestar a escalada dos preços dos combustíveis, o custo das portagens e o pagamento de 21 por cento de IVA na formação profissional.

O trânsito nas ruas de Ponte de Lima e a estrada nacional que liga a cidade a Viana do Castelo foi bloqueado por completo pelos camionistas.

“Aproveitamos esta oportunidade para chamar a atenção para os problemas que afligem a classe”, afirmou Manuel Carvalho, presidente do núcleo de camionistas do Minho, entidade organizadora do encontro anual de camionistas.

“A subida dos preços dos combustíveis foi a gota de água que fez transbordar o copo, porque há mais problemas que afligem os camionistas e que fazem com que alguns deles comecem a passar mal”, acrescentou.

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