Transportadores de passageiros pedem reforço dos apoios que cobrem apenas 1/3 do sobrecusto

por Lusa
Lusa

A associação de transporte de passageiros reclama um reforço dos apoios públicos ao setor, para fazer face ao aumento do preço dos combustíveis, realçando que os existentes compensam em apenas um terço do sobrecusto das empresas.

"Todos os apoios dados desde novembro do ano passado (começou com 10 cêntimos por litro e depois passou, em abril, para 30 cêntimos) representaram até agora, em média, 34% do nosso sobrecusto. Portanto, esses apoios representaram cerca de um terço daquilo que foi o nosso sobrecusto por via dos aumentos dos combustíveis", afirmou o presidente da Associação Nacional de Transportes de Passageiros (Antrop) durante o encontro `Transporte Rodoviário (Passageiros e Mercadorias)`, organizado hoje no Porto pelo jornal `Transportes & Negócios`.

"Não dizemos que foi mau. Agradecemos o apoio e achamos que é absolutamente essencial. O que dizemos é que tem de aumentar", acrescentou Luís Cabaço Martins.

Segundo o dirigente associativo, os cálculos feitos pela Antrop apontam que, num cenário de estabilização do preço dos combustíveis até ao final deste ano, para compensar o sobrecusto seria necessário um apoio público de 90 cêntimos por litro, contra os atuais 30 cêntimos por litro.

"Fizemos um cálculo até ao final do ano e, se considerarmos que o PVP [preço de venda ao público] do gasóleo se mantém estável até 31 de dezembro deste ano, nós para compensar o sobrecusto teríamos de ter, a partir de 1 de julho, um apoio de 90 cêntimos por litro, e neste momento temos 30", sustentou.

"As contas estão feitas, foram entregues ao Governo e a nossa expectativa é que, mantendo-se a situação, o apoio seja reforçado", acrescentou.

Na sua intervenção, o presidente da Antrop voltou a defender a necessidade de uma "discriminação positiva do transporte público em muitas das medidas, designadamente na política fiscal".

"Ainda não tivemos sucesso nessa batalha, que tem muitos anos. Continuamos a insistir que o parlamento deveria determinar um conjunto de alterações legislativas -que temos escritas e que estão presentes em todos os grupos parlamentares e no Governo - de alteração da política fiscal, criando uma politica fiscal específica para o serviço público de transporte de passageiros", reiterou.

"Por esta lógica, não entendemos, em geral, medidas que sejam transversais [aos operadores públicos e ao transporte individual, por exemplo], achamos que devia haver uma diferença de tratamento, até para as pessoas perceberem que o transporte público pode ser uma via de solução para a descarbonização. Mas o Governo entendeu, face a uma situação excecional de subida muito significativa do preço combustíveis, criar uma medida transversal", disse.

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