"Trocadilhos" de Belmiro de Azevedo animam jantar de homenagem a Mira Amaral
Os "trocadilhos" do presidente do conselho de administração da Sonae, Belmiro de Azevedo, animaram o jantar de homenagem ao ex-ministro social-democrata Luís Mira Amaral, que se prolongou pela madrugada de hoje.
A primeira "vítima" do empresário nortenho foi Joe Berardo, que terça-feira disse à agência Lusa que o comportamento da CMVM no decurso do processo da OPA da Sonaecom sobre a PT só poderá explicar-se por um "lobby muito forte do Norte".
No Europarque, em Santa Maria da Feira, antes mesmo do jantar, Belmiro de Azevedo afirmou aos jornalistas não conhecer Berardo e disse que "todos têm o direito de falar".
Horas depois, durante a sua intervenção como membro da comissão de honra da homenagem a Mira Amaral, Belmiro de Azevedo, sem nunca tocar no nome do empresário madeirense, provocou o riso geral na plateia cerca de 200 empresários.
"Ainda me hoje perguntavam aí na rádio se eu conhecia uma certa pessoa e eu disse eu só conheço homens normais, eu não conheço os homens excepcionais. Só conheço os homens ordinários e não os extraordinários. Então não conhece fulano de tal? Como não conhece? Pois, ele é extraordinário e eu sou ordinário!", disse.
E continuando, Belmiro de Azevedo referiu que o que queria dizer é que "o engenheiro Mira Amaral é um homem ordinário e um homem ordinário para mim é mais importante do que um extraordinário, porque um homem extraordinário ou é maluco ou é incompetente e nós temos é que entre os ordinários escolher os melhores".
A segunda "vítima" do patrão da Sonae foram os políticos para desaconselhar Mira Amaral, que "insiste em ser economista, quando é mesmo um engenheiro", a um eventual regresso à vida política.
"Ainda é um jovem adulto, não se meta na política homem, seja engenheiro", exclamou.
É que, sustentou, "para regressar à política com um partido político pequeno e um líder pequeno, não perca tempo com isso, é preferível dedicar-se à economia".
"Mantenha-se nessa, está no bom caminho e não se deixe ludribiar por essas cantigas de advogados, economistas, sociólogos e psicólogos, que são demasiados no nosso país", concluiu.
O "atacante" Belmiro de Azevedo, conforme ele mesmo se designou, seguiu o discurso do "defensor" presidente do BPI Artur Santos Silva, que elogiou o trabalho do ex-ministro, quer como político, quer como empresário.
Seguiram-se as intervenções de Luís Filipe Pereira, de Miguel Cadilhe e de José Manuel Fernandes, que se referiram à "integridade do carácter" de Mira Amaral e elogiaram a organização da iniciativa, que "apenas pecou por tardia".
"Mira Amaral é um exemplo de um governante que soube fazer política séria e competente", afirmou o economista Miguel Cadilhe.
Luís Mira Amaral esteve no Governo de 1985 a 1987, como ministro do Trabalho e da Segurança Social e de 1987 a 1985, como ministro da Indústria e da Energia.
No final, e como resposta aos "piropos" de Belmiro de Azevedo, Mira Amaral frisou a sua indisponibilidade para trabalhar com o Governo mas sim com as associações empresariais e afirmou nunca ter sido "ludribiado" pelo PS mas sim pelo PSD.
"Nunca fui ludribiado pelos socialistas porque esses sempre foram adversários transparentes, onde eu já fui ludribiado foi no PSD.
No PS, eu tenho adversários políticos e muitos deles são meus amigos, os meus inimigos estão no PSD", comentou.
Sobre a actual conjuntura económica, o professor universitário disse que apesar de nos próximos anos o crescimento económico de Portugal se visionar "baixo ou quase anémico", num cenário que se concretizaria "independentemente do Governo", é preciso que este cumpra os seus "verdadeiros trabalhos de casa".
Eles são, enumerou, o saneamento das contas públicas, a reforma da administração pública, a reforma da justiça e da educação e a mudança da legislação laboral.
"Temos um sério problema porque já não somos um país low cost mas ainda não agarramos uma economia do conhecimento. Corremos um sério risco, o de estarmos no limbo entre a Europa e o Norte de Africa e com isto as boas empresas vão-se safar mas as outras não", acrescentou o homenageado.