Trump garante que crescimento do PIB resolverá problema da dívida "com muita facilidade"
O Presidente norte-americano, Donald Trump, garantiu na sexta-feira que o problema do aumento da dívida e dos pagamentos de juros será resolvido "com muita facilidade" graças ao atual crescimento económico do país.
Questionado sobre a dívida do governo federal, que esta semana ultrapassou pela primeira vez os 40 mil milhões de dólares (34,2 mil milhões de euros), e cujo crescimento tem acelerado após a decisão do Supremo Tribunal de baixar as tarifas alfandegárias que geravam receitas orçamentais, Trump sublinhou que herdou a dívida, mas realçou que o atual desempenho económico resolverá o problema.
"Esta dívida é um problema há 35 anos. E o que temos agora --- algo que nunca tivemos antes, embora tenhamos visto uma boa parte dela durante o meu primeiro mandato, como sabem --- é um crescimento tremendo, e a forma de gerir a dívida é através do crescimento, e agora estamos a experimentar um crescimento tremendo", observou.
"Nunca tivemos um crescimento como este antes. Este crescimento resolverá o problema com muita facilidade", acrescentou o chefe de Estado norte-americano, antes de embarcar no Air Force One rumo à Carolina do Sul para uma ação de campanha para as eleições intercalares de novembro.
A economia norte-americana cresceu a uma taxa anualizada de 1,5% no período de abril a junho, embora se espere um número significativamente mais forte para o trimestre atual.
Os jornalistas questionaram ainda o Presidente republicano sobre o aumento das taxas dos títulos do Tesouro, que a 30 anos atingiram mais de 5,3% esta semana, o nível mais elevado desde 2007, e se tinha dado instruções ao secretário do Tesouro, Scott Bessent, para intervir no mercado de dívida anunciando um programa de recompra que reduziu ligeiramente as taxas.
"Não, de todo. Ele [Bessent] é um homem muito capaz. Ele queria fazer isto e é muito bom nisso. Tem um bom instinto, um excelente talento natural para as questões das obrigações e das taxas de juro", afirmou Trump.
O Presidente norte-americano lançou ainda uma aparentem ameaça militar ao Irão, numa altura em que a guerra prolongada aumenta as dúvidas sobre a inflação e a saúde da economia norte-americana.
"Há muitos tipos de intervenção [contra o Irão], esta (económica e financeira) é uma delas. A intervenção máxima é a militar e, se tivermos de recorrer a ela, recorreremos", garantiu.
Paralelamente, e com o preço dos combustíveis em alta e as pressões inflacionistas a acumularem-se, Donald Trump `esqueceu` a sua promessa de dar sempre prioridade aos produtos "Made in USA" (Fabricados nos EUA, em português), e vai suspender temporariamente as tarifas sobre certas importações de carne de bovino, em benefício dos consumidores norte-americanos.
Em concreto, as tarifas sobre a importação de 300 mil toneladas de carne de bovino destinada à venda como carne picada serão suspensas durante os próximos 90 dias, anunciou o Presidente norte-americano na rede social Truth Social.
Mas para aos produtores, esta medida é um "banho de água fria para o objetivo de aumentar o efetivo bovino americano", denunciou Colin Woodall, presidente da Associação Nacional de Produtores de Carne de Bovino, num comunicado condenando uma decisão "que sacrifica a estabilidade a longo prazo em prol das relações públicas de curto prazo".
O custo de vida é uma das principais preocupações dos eleitores, à medida que se aproximam as cruciais eleições intercalares, e a oposição democrata insiste que Donald Trump, com as suas tarifas abrangentes e a sua guerra contra o Irão, é o principal responsável pelo elevado custo de vida.