Turistas estrangeiros nos hóteis moçambicanos mais do que triplicaram em cinco anos
O número de turistas estrangeiros nos hotéis em Moçambique mais do que triplicou em cinco anos, para quase 760 mil em 2024, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), que também apontam quebra nos hóspedes moçambicanos.
De acordo com o anuário estatístico do INE relativo a 2024, recentemente concluído e ao qual a Lusa teve hoje acesso, os hóspedes estrangeiros nos estabelecimentos hoteleiros do país passaram de 216.297 em 2020 para 757.458 em 2024, período que abrange as alterações legais que isentaram de vistos turistas de 29 países.
A província de Inhambane, no sul, considerada a mais turística do país, recebeu em 2024 um total de 170.292 turistas estrangeiros, mas esse movimento esteve concentrado na zona da capital, com 220.500 estrangeiros nos hotéis da província de Maputo, mais 179.587 na cidade de Maputo.
Já o número de hóspedes moçambicanos nos hotéis do país recuou 18%, de 1.336.088, em 2020, para 1.097.864, em 2024, mas o INE não apresenta explicação para esta quebra.
O Governo moçambicano lançou na quarta-feira um novo portal para registo de vistos de turismo `online`, depois de ter suspendido o pré-registo obrigatório em maio de 2025 devido a problemas técnicos no sistema.
"Através desta plataforma, todos aqueles que pretendem visitar Moçambique podem agora fazê-lo, aplicando [o pedido prévio] para ter autorização para viajar para Moçambique, obtendo o visto online", anunciou o ministro das Comunicações e Transformação Digital, Américo Muchanga.
O novo portal, em https://evisa.gov.mz, foi apresentado na abertura da Conferência Nacional sobre Transformação Digital, em Maputo.
"Queremos, através deste meio, dar o primeiro passo para permitir que Moçambique seja de facto um destino turístico, atrativo, visitado por todos, e simplificar o processo de obtenção dessa autorização", acrescentou o ministro, ao apresentar a plataforma.
A Lusa noticiou em 19 de maio de 2025 que o Serviço Nacional de Migração (Senami) suspendeu, nessa altura, temporariamente, a obrigatoriedade de comunicação, com uma antecedência de 48 horas, para entrada em Moçambique aos turistas de 29 países isentos de visto, medida inicialmente anunciada em abril.
A obrigatoriedade de comunicação tinha sido divulgada num comunicado emitido pelo Posto de Travessia de Mavalane, no aeroporto internacional de Maputo, em 24 de abril.
O Governo não esclareceu se, com a entrada em vigor do novo portal, no mesmo sítio de Internet, essa obrigação de pré-registo volta a ser aplicada ou a partir de quando. Até agora, o processo de visto de turista era tratado na fronteira, já em Moçambique.
Em abril de 2025 a medida gerou preocupação imediata nos agentes de viagens, dada a ausência desta imposição desde o início da isenção de vistos para turistas destes países, incluindo Portugal, em maio de 2023.
Na mesma informação, o Senami comunicava então que ficava "suspensa, com efeitos imediatos, a obrigatoriedade de comunicação prévia de 48 horas para entrada no território nacional", que deveria ser feita através de uma plataforma eletrónica - a mesma agora atualizada - , devido a "constrangimentos técnicos verificados no sistema de registo".
Sublinhava então que "logo que as condições técnicas estiverem reunidas, será feita uma nova informação oficial sobre o restabelecimento da medida" de comunicação prévia da entrada no país.
Moçambique introduziu em dezembro de 2022 o Visto Eletrónico (e-Visa) e, em 01 de maio de 2023, a isenção de vistos para cidadãos de 29 países, além de ter simplificado a concessão de vistos de investimentos para períodos mais alargados aos cidadãos estrangeiros que detenham investimento em Moçambique.
As receitas de Moçambique com turistas estrangeiros ultrapassaram 200 milhões de euros em 2024, com uma média anual de um milhão de visitantes estrangeiros, mas o Governo prevê chegar a 360 milhões de euros em 2029, com a contribuição do setor a aumentar para 6% do PIB.