Ucrânia promete confiscar gás russo se não for assinado acordo hoje
Moscovo, 31 Dez (Lusa) - A "guerra do gás" entre Rússia e Ucrânia promete continuar, tendo Kiev já ameaçado que confiscará o gás russo que passar pelo seu território se até ao fim do dia de hoje não for assinado um acordo sobre o fornecimento e trânsito do hidrocarboneto russo à Ucrânia e UE para 2009.
"Hoje, a Naftogaz enviou uma carta oficial à Gazprom onde se comunica se não se chegar a um acordo urgente sobre as condições do trânsito e dos fornecimentos de gás e se não forem assinados os respectivos documentos, a Naftogaz Ukraini deixará de ter fundamentos legais para receber no sistema de transporte de gás da Ucrânia gás vindo do território da Rússia", declarou uma fonte da empresa ucraniana, citada pelas agências russas.
Kiev ameaça mesmo confiscar o hidrocarboneto.
"Na carta está literalmente escrito que se o gás entrar no sistema de transporte gasífero da Ucrânia sem a assinatura de acordos, ele será identificado como gás de proprietário indeterminado, o que pode levar à sua confiscação em conformidade com a legislação da Ucrânia", acrescenta a fonte ucraniana, sublinhando que "os países da União Europeia (UE) já foram prevenidos sobre a situação criada".
Alexandre Medvedev, vice-presidente do Conselho Administrativo da Gazprom, acusa Kiev de, dessa forma, pôr em causa a vigência do contrato de trânsito de gás da Rússia para a Europa Ocidental, que só expira a 31 de Dezembro de 2010.
"A parte ucraniana põe em causa o contrato vigente de trânsito de gás russo para a Europa Ocidental, ameaçando abertamente confiscar gás e declarando que ela não possui semelhante contrato", declarou Medvedev, numa conferência de imprensa.
As divergências entre a Gazprom e a Naftogaz Ukraini prendem-se não só com as dívidas urcranianas à Rússia, mas também com o preço do gás a pagar em Kiev no próximo ano.
As autoridades ucranianas anunciaram terça-feira ter pago a Moscovo todas as dívidas, tendo recorrido a empréstimos de dois bancos públicos para juntar 1,5 mil milhões de dólares, mas a Gazprom não confirmou ainda a entrada dessa importância nas suas contas.
"O dinheiro chegou à Rosukrenergo (empresa russo-ucraniana intermediária). Esperamos que essa companhia cumpra as suas obrigações e o transfira para a conta da Gazprom", esclareceu Medvedev.
Este dirigente do consórcio gasífero russo declarou também que a Rússia propõs à Ucrânia um preço "super vantajoso", não revelando números concretos, mas sublinhando que ele fica bem abaixo dos 418 dólares americanos por mil metros cúbicos, anteriormente anunciados.
"Mas, não obstante, a parte ucraniana não aceitou até agora essa proposta", precisou Medvedev.
Em 2008, a Ucrânia pagou 179,5 dólares por mil metros cúbicos de gás.
Segundo a imprensa ucraniana, a primeira-ministra Iúlia Timochenko vai estar ainda hoje em Moscovo para desbloquear a situação.
Crises semelhantes entre a Rússia e a Ucrânia tiveram lugar em anos anteriores e devem-se, segundo diversas fontes, à falta de transparência nos negócios do gás, à corrupção existente em torno deles, bem como às tentativas de autoridades russas e ucranianas de os utilizarem com objectivos políticos.
JM.
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