UE é o "novo homem doente" da Europa
Washington, 14 mai (Lusa) - O esforço dos últimos 50 anos para criar uma Europa "mais unida" tornou-se a principal vítima da crise do euro, e a União Europeia (UE) é "o novo homem doente" naquele continente, revela uma sondagem divulgada na segunda-feira.
De acordo com o centro de investigação Pew citado pela agência Efe, o apoio à integração europeia diminuiu no último ano em cinco dos oito países em que a sondagem foi realizada.
O rótulo de "homem doente", originalmente atribuído ao czar russo Nicolás I ao descrever o Império Otomano em meados do século XIX, aplicou-se em diferentes ocasiões nos últimos 15 anos à Alemanha, Itália, Portugal, Grécia e França, indicou a sondagem.
"Mas este fascínio com o país em crise do momento tem escondido um fenómeno mais amplo: a erosão da fé dos europeus nos princípios que impulsionaram boa parte do que conseguiram internamente", acrescentou.
Assim, a prolongada crise económica criou "forças centrífugas que estão a dividir a opinião pública europeia", refletida nas divergências entre a Franca e a Alemanha, enquanto países como Espanha, Itália e Grécia "estão cada vez mais distantes, como foi demonstrado com a sua frustração com Bruxelas e Berlim, e o que se percebe como a injustiça do sistema económico", precisou a pesquisa.
A sondagem Pew indicou que, em geral, as opiniões positivas sobre a UE encontram-se no seu nível mais baixo, ou perto desse ponto, na maioria dos países inquiridos, incluindo entre os mais jovens, e que só na Alemanha pelo menos metade apoia um maior poder de Bruxelas para fazer face à crise económica atual.
Assim, 75 % dos alemães disseram estar satisfeitos com o estado da sua economia, enquanto apenas 9 % dos franceses, 4 % dos espanhóis, 3 % dos italianos, e 1 % dos gregos consideraram que as economias nos seus respetivos países estão "bem".
A sondagem assinalou que Espanha, Itália e Grécia "sofreram enormemente" a desaceleração económica, o que afetou severamente a opinião pública nesses países do sul do continente: 79 % dos espanhóis e 72 % dos gregos acreditam que as condições económicas são "muito más", em comparação com a média de 28 % no resto da Europa.
Além disso, 94 % dos gregos, 84 % dos italianos, e 69 % dos espanhóis queixam-se que a inflação também é um desafio "muito grande", em comparação com a média de 58 % no resto do bloco.
Cerca de sete em cada dez pessoas nestes três países desaprovam a gestão e abordagem à crise por parte dos seus líderes.
Questionados sobre possíveis respostas à crise, 72 % dos espanhóis, 64 % dos italianos e 64 % dos checos fizeram uma menção especial à criação de empregos, indicou a pesquisa.
Por outro lado, apesar da crescente desilusão com o projeto europeu, o euro continua a obter o apoio popular em 17 dos 27 países membros da UE.
Embora apenas 26 % dos britânicos considerem que pertencer à UE beneficiou a sua economia, "os britânicos continuam divididos em partes iguais sobre a manutenção na UE, com 46 % favoráveis à permanência no bloco e igual percentagem a apoiar a saída do mesmo.
A sondagem foi realizada entre 02 e 27 de março e teve por base uma amostra de 7.646 pessoas na Grã-Bretanha, França, Alemanha, Itália, Espanha, Grécia, Polónia e República Checa, oito dos 27 países membros da UE.