UE garante abastecimento de gás estável apesar de reservas abaixo da média histórica
A Comissão Europeia assegurou hoje que o abastecimento de gás na União Europeia (UE) permanece estável, apesar de os níveis de armazenamento estarem abaixo dos valores históricos, acompanhando de perto riscos para o mercado energético antes do inverno.
"O Grupo de Coordenação do Gás reuniu-se novamente [...] para fazer um ponto de situação sobre o atual mercado do gás. Apesar de os níveis de armazenamento estarem abaixo dos valores históricos, a Comissão Europeia e os Estados-membros reafirmaram que o abastecimento de gás na UE permanece estável", informou o executivo comunitário em comunicado.
"A Comissão continuará a acompanhar de perto a situação, em coordenação com os Estados-membros e os intervenientes do setor", acrescentou.
A garantia foi reafirmada após uma reunião na quinta-feira pelo Grupo de Coordenação do Gás, que junta a Comissão Europeia, os Estados-membros e representantes do setor, tendo em conta a atual volatilidade dos mercados energéticos e a preparação para o inverno 2026-2027.
Segundo a Comissão Europeia, a Rede Europeia dos Operadores das Redes de Transporte de Gás apresentou ao grupo conclusões preliminares que serão incluídas no relatório sobre a preparação para o inverno, previsto para 08 de outubro.
A reunião analisou também a aplicação das regras europeias de segurança do abastecimento, que determinam que, em caso de perturbações graves, o fornecimento deve continuar a ser garantido aos chamados consumidores protegidos, nomeadamente famílias e serviços essenciais.
"O Grupo de Coordenação do Gás confirmou que, nas condições previstas no regulamento, o abastecimento aos consumidores protegidos está garantido", de acordo com Bruxelas.
A situação energética europeia continua, contudo, a ser acompanhada num contexto de elevada instabilidade geopolítica.
A invasão russa da Ucrânia em 2022 expôs a forte dependência da UE do gás russo e desencadeou uma crise energética que levou os Estados-membros a reforçar os armazenamentos, diversificar fornecedores e aumentar as importações de gás natural liquefeito (GNL).
Desde o início da guerra, a dependência europeia do gás russo caiu de 45% das importações de gás da UE para 12% em 2025.
A atual situação é ainda influenciada pela instabilidade no Médio Oriente, nomeadamente a guerra do Irão causada pelos ataques norte-americanos e israelitas, e pela volatilidade dos mercados globais de energia.
Bruxelas tem sublinhado, porém, que a situação difere da crise de 2022, devido à maior diversificação das fontes de abastecimento, ao aumento da capacidade de importação de GNL e à redução do consumo de gás na UE.
O armazenamento de gás constitui uma das principais salvaguardas da segurança energética europeia, podendo assegurar cerca de um quarto a um terço do consumo de gás da UE durante o inverno.
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