Ulrich diz que saídas de trabalhadores seguirão ritmo atual
Lisboa, 26 jan (Lusa) - O presidente executivo do BPI considerou hoje que a saída de centenas de trabalhadores prevista pelo Caixabank, caso a Oferta Pública de Aquisição tenha sucesso, decorrerá no ritmo dos últimos anos e que não haverá revoluções nesse campo.
"O número referido no prospeto [da OPA] não me parece uma revolução, E não me parece diferente do que seria se o BPI continuasse sem que o Caixabank tivesse a maioria [do capital social]", disse hoje Fernando Ulrich aos jornalistas, na conferência de imprensa de apresentação dos resultados de 2016, em que o banco aumentou os lucros para 313,2 milhões de euros.
O gestor recordou que, face a 2008, ano em que o banco atingiu o pico de funcionários, o BPI já reduziu 2.300 pessoas e recordou que só o ano passado saíram quase 400 em Portugal, pelo que considerou que uma redução de cerca de 900 pessoas pelo Caixabank nos próximos anos está dentro do que tem sido feito.
"O número impressiona, mas ao longo de dois a três anos não é assim tão grande", considerou, acrescentando que pode "tranquilizar as pessoas" até pela experiência do Caixabank em Espanha, que disse que sempre fez reduções de pessoal recorrendo a métodos de rescisões por mútuo acordo e com indemnizações justas.
Sobre encerramentos de balcões, Ulrich afirmou que o Caixabank privilegia a "proximidade com os clientes" e que acredita que não haja muitos mais fechos de agências.
"Um BPI controlado pelo Caixabank vai ser até mais comedido do que um BPI em que esta gestão estava à solta, passo a expressão", disse.
No prospeto da Oferta Pública de Aquisição (OPA) divulgado a 15 de janeiro, o CaixaBank (que já é o maior acionista do BPI com 45,50%), estima que, após concretizar a OPA sobre a totalidade do capital social do BPI, este venha a reduzir custos anuais até 84 milhões de euros, sendo que mais de metade virá de poupanças com trabalhadores.
Do valor de poupanças referido, é estimado que 45 milhões de euros venham de redução de custos com pessoal e mais 39 milhões de euros de redução de custos gerais.
Quanto aos trabalhadores, diz o CaixaBank que "quaisquer restruturações laborais" serão realizadas "em estrito cumprimento dos parâmetros sociais que têm vindo a ser observados" em processos similares e que dará "prioridade a reformas antecipadas e `lay-offs` [saídas de trabalhadores] incentivados".
Quanto à rede comercial, esta deverá ficar igual, refere o banco espanhol, recordando que o BPI tem vindo a reduzir os seus balcões nos últimos anos, tendo fechado cerca de 50 em 2016.
No âmbito da Opa, o banco espanhol oferece 1,134 euros por cada ação do BPI, o que avalia o banco em cerca de 1600 milhões de euros.
A operação arrancou a 17 de janeiro e decorre até 07 de fevereiro.