União Europeia chega a acordo sobre a ajuda à Irlanda

A União Europeia chegou a acordo sobre a ajuda a prestar à Irlanda depois de aprovado o plano de ajuda pelos ministros das finanças que hoje estiveram reunidos de urgência em Bruxelas. No mesmo encontro foi ainda aprovado que os bancos privados vão participar, caso a caso, no futuro fundo permanente de ajuda da zona euro. Na reunião foi confirmado que Portugal não pediu qualquer ajuda externa.

RTP /
Ministros das Finanças de acordo no apoio à Irlanda OLIVIER HOSLET/EPA

Está encontrado o plano de ajuda a prestar à Irlanda por parte da União Europeia depois do acordo alcançado esta tarde em Bruxelas pelos ministros das finanças da zona euro.

A Irlanda foi o segundo país a solicitar a ajuda do FMI e da União Europeia e está já decidido que a Irlanda irá receber 85 mil milhões de euros.

Em conferência de imprensa o presidente do Eurogrupo, Jean-Claude Juncker, anunciou que o sistema bancário irlandês irá receber 35 mil milhões de euros, sendo que de imediato vão receber 10 mil milhões de euros, dos 85 mil milhões que vão ser entregues à Irlanda no âmbito do Fundo Europeu de Estabilização Financeira.

Juncker afirmou que os bancos vão receber este apoio como argumento acrescido para convencer os mercados da solidez do plano de ajuda da União Europeia e serão colocados num fundo de contingência para provar a capacidade dos bancos irlandeses em fazerem face aos seus compromissos, sobretudo com os depositantes e os aforradores.

Já os outros 50 milhões irão directamente para o Estado irlandês para sanear as contas públicas.

Recorde-se que em Setembro o ministro das Finanças, Brian Lenihan, anunciou que o défice do país em 2010 poderia chegar ao recorde de 32 por cento do Produto Interno Bruto devido sobretudo aos apoios ao sistema bancário.

Já quanto ao juro a pagar por este empréstimo, Junker não revelou o valor exacto mas deu conta de que será semelhante ao determinado para a Grécia o que poderá dizer que a Irlanda vai pagar uma taxa de juro médio e flexível de 5,8 por cento.

Bancos privados em futuro fundo de apoio

Os ministros das finanças da zona euro chegaram ainda a acordo em Bruxelas para a inclusão dos bancos privados, "caso a caso", no futuro fundo permanente de ajuda, uma medida que se insere no mecanismo permanente de gestão de crises decidido pelos dirigentes europeus em Outubro e que, a partir de 2013, vai substituir o Fundo de Estabilidade Financeira criado nesta primavera.

Recorde-se que o actual fundo temporário é constituído por garantias financeiras dos países da zona euro.

Este decisão foi tomada pelos ministros das finanças da zona euro, reunidos em Bruxelas para aprovar o plano de ajuda à Irlanda, tendo os ministros chegado a acordo quanto ao princípio de uma "participação, caso a caso, dos credores do sector privado, plenamente em linha" com a metodologia aplicada pelo Fundo Monetário Internacional.

Em caso de crise de solvência de um país, e apenas nesse caso, o país em causa negociará com os credores privados a reestruturação da sua dívida caso a caso, sendo que a proposta da Comissão Europeia hoje aprovada "baseia-se largamente" no fundo existente, mas não vai incluir automaticamente os fundos privados, uma situação defendida pela Alemanha.

Portugal não pediu ajuda

Na reunião de Bruxelas o ministro das Finanças da Alemanha, Wolfgang Schaeuble, confirmou que Portugal não pediu apoio da União Europeia durante o encontro de governantes europeus.

"O ministro das Finanças de Portugal informou-nos hoje da situação e das medidas que estão e vão ser tomadas e que Portugal não vê necessidade de pedir ajuda", disse Schaeuble.

Wolfgang Schaeuble referiu ainda que espera que as taxas de juro pagas pela Irlanda diminuam e que os líderes europeus devem agir mais rapidamente se os países furarem as metas de consolidação orçamentais, enquanto sobre o aumento de impostos na Irlanda disse ser o Governo irlandês a decidir quais os impostos que quer aumentar.

Os ministros das Finanças da Zona Euro, pela voz do Comissário Europeu responsável pelos Assuntos Económicos, felicitaram ainda Portugal pela aprovação do Orçamento do Estado para 2011 e que esperam que Lisboa tome "medidas concretas" para alcançar as metas orçamentais definidas

"Nós saudámos a aprovação do Orçamento para o próximo ano que está totalmente em linha com a estratégia orçamental acordada. Portugal está a preparar uma agenda de crescimento que inclui reformas estruturais importantes no mercado de trabalho e nós concordámos com isso e encorajámos Portugal a intensificar essas reformas e estamos prontos para ajudar Portugal, em cooperação com as autoridades do país", concluiu Olli Rehn.
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