Uso de redes sociais abaixo dos 16 anos na Austrália recupera após proibição
A utilização das redes sociais entre os menores de 16 anos na Austrália recuperou após a proibição, introduzida em dezembro, para esta faixa etária, segundo dados de uma aplicação de controlo parental, divulgados hoje.
O tráfego entre este grupo demográfico tinha caído a pique quando a legislação inovadora entrou em vigor , desencadeando iniciativas semelhantes em França, no Reino Unido e noutros países.
Mas, desde então, o uso recuperou, por vezes até ultrapassando os níveis anteriores à proibição, de acordo com dados da aplicação Qustodio.
Por exemplo, 11,36% das crianças dos 10 aos 12 anos utilizavam a plataforma de vídeos curtos TikTok em julho de 2026, mais do que em novembro de 2025 (10,73%) e apenas um pouco menos do que em dezembro de 2025 (11,42%).
Entre os jovens dos 13 aos 15 anos, 25,96% ainda utilizavam o TikTok, cerca de 1% menos do que pouco antes da proibição. A tendência também está em alta nas redes sociais Snapchat e Instagram.
"Eles podem aceder a estas plataformas através de VPNs ou falsificar a idade", explicou Yasmin London, especialista em segurança online da Qustodio, em comunicado.
Uma rede privada virtual, conhecida como VPN (sigla em inglês), permite ocultar ou modificar a localização do utilizador.
Mas as restrições também podem simplesmente "não funcionar", alertou London.
Os dados da empresa mostraram uma migração significativa de menores de 16 anos para o WhatsApp, uma aplicação de mensagens não afetada pela lei.
A Qustodio analisou dados mensais anonimizados sobre a utilização das redes sociais - mais de cinco minutos consecutivos num determinado mês - nesta faixa etária para produzir as estatísticas.
A Austrália tornou-se em 10 de dezembro o primeiro país no mundo a proibir as redes sociais para crianças, a fim de as proteger dos efeitos nocivos para a saúde mental.
No final de março, o regulador da Internet australiano anunciou uma investigação que visa gigantes da tecnologia, entre os quais TikTok, Instagram e YouTube, acusados de violar a proibição.
As empresas visadas pela proibição estão sujeitas a multas que podem ultrapassar 25 milhões de euros.
Embora vários estudos comprovem os efeitos negativos do tempo excessivo passado `online`, em junho, uma equipa de investigadores da Austrália publicou um estudo que questiona a eficácia da proibição.
A maioria das tecnológicas comprometeu-se a respeitar a lei, mas alertou que esta poderá empurrar os adolescentes para plataformas menos regulamentadas e mais perigosas.
Os primeiros resultados da medida "sugerem que esta não está a atingir os objetivos de melhorar a segurança e o bem-estar dos jovens australianos", argumentou a Meta, em janeiro.
A detentora do Facebook e Instagram refere ainda que pais e especialistas estão preocupados com o facto de os jovens ficarem isolados das comunidades online.