Economia
Venda da TAP. Governo inicia negociações finais com os dois candidatos
O Governo decidiu avançar com negociações com as duas companhias aéreas que apresentaram propostas para comprar parte da TAP, a Lufthansa e a Air France-KLM.
Em conferência de imprensa esta sexta-feira, o ministro da Presidência, António Leitão Amaro, explicou que as ofertas, sendo diferentes, têm uma "avaliação global muito próxima", o que justifica "o esforço de negociação" com ambos os concorrentes, com o objetivo de obter "propostas melhoradas" para que o Governo possa escolher "um único concorrente para a negociação finalíssima".
Esse período de negociação final com os dois concorrentes será de "algumas semanas". Só depois o Governo vai escolher uma das companhias para avançar para a negociação final da privatização da TAP.O ministro da Presidência sublinha que a decisão sobre a transportadora aérea não será tomada apenas com base no preço
A 1 de setembro, a Parpública entregou para análise do Governo o relatório sobre as duas ofertas vinculativas para a privatização da TAP, cujo processo prevê a venda de até 49,9% do capital da empresa, dos quais 5% estão reservados aos trabalhadores, podendo a parcela não subscrita ser adquirida pelo investidor selecionado, ao abrigo de um direito de preferência.
Sobre os resultados apresentados pela TAP no primeiro semestre, com um prejuízo de 99,2 milhões de euros, justificado pelo preço dos combustíveis, o ministro da Presidência optou por destacar "as vendas historicamente elevadas, das mais elevadas que há memória" registadas pela transportadora no mesmo período.
"As avaliações naturalmente têm em conta sempre este tipo de fatores circunstanciais e as trajetórias estruturais, designadamente de expansão de vendas e de negócio", acrescentou.
Sobre o mandato do presidente executivo da TAP, Luís Rodrigues, que terminou no final de 2024, o ministro disse que o Governo não tomou ainda nenhuma decisão.
Air France-KLM aguarda com "expectativa" novas negociações
Numa nota enviada à Lusa, a Air France-KLM disse que aguarda com "expectativa" a nova ronda de negociações.
Numa nota enviada à Lusa, a Air France-KLM disse que aguarda com "expectativa" a nova ronda de negociações.
"A Air France-KLM toma nota da decisão do Governo português de avançar para uma ronda adicional no processo de privatização da TAP", disse.
"A participação contínua do Grupo nesta fase reflete o seu interesse inalterado na TAP", salientou, apontando que aguarda "com expectativa a próxima fase do processo".
De acordo com a Air France-KLM, a sua proposta "inclui um plano estratégico que abrange todas as áreas do negócio, incluindo o transporte de passageiros, carga, programas de fidelização e Manutenção, Reparação e Revisão (MRO)". A Air France-KLM e a Lufthansa entregaram em 29 de julho, no último dia do prazo, propostas vinculativas no processo de privatização da TAP.
As propostas finais incluem os termos financeiros e estratégicos para a entrada no capital da companhia aérea, sendo ainda avaliados o investimento previsto, o desenvolvimento da frota, a aposta em áreas como a manutenção e os combustíveis sustentáveis e o respeito pelos compromissos laborais.
O processo prevê, desde o início, a existência de uma fase opcional de negociações para melhorar as propostas, antes da escolha do investidor.
A decisão final implicará ainda um conjunto de passos formais, incluindo a aprovação em Conselho de Ministros e a obtenção de 'luz verde' das autoridades europeias de concorrência.
A Air France-KLM foi a primeira interessada a confirmar a apresentação de uma proposta não vinculativa, em abril, e reiterou o seu forte interesse na transportadora portuguesa. O grupo destacou também a experiência na relação com acionistas estatais.
"A TAP encaixa totalmente na estratégia 'multi-hub' da Air France-KLM, e o nosso objetivo é reforçar as operações em Lisboa, ao mesmo tempo que desenvolvemos a conectividade noutras cidades do país, incluindo o Porto", afirmou recentemente o presidente executivo do grupo, Benjamin Smith.
A Lufthansa defende, por sua vez, o crescimento da TAP no mercado brasileiro, a expansão do 'hub' - plataforma giratória de distribuição de voos - de Lisboa e o reforço da operação no Porto.
O grupo alemão admite adquirir uma participação minoritária, mas pretende assegurar influência na gestão executiva da companhia.
A Lufthansa Technik está também a construir uma unidade industrial no parque empresarial Lusopark, em Santa Maria da Feira, dedicada à reparação e manutenção de componentes de aeronaves. O investimento está avaliado em centenas de milhões de euros e deverá criar mais de 700 empregos qualificados até 2027.
O Governo exige garantias quanto à manutenção da marca TAP, da sede em Portugal, do 'hub' de Lisboa e de rotas consideradas estratégicas, incluindo ligações internacionais relevantes para a economia e para as comunidades portuguesas.
O executivo mantém ainda a possibilidade de cancelar o processo em qualquer fase, sem direito a indemnização para os interessados, caso considere que as propostas não salvaguardam o interesse estratégico do país.
"A participação contínua do Grupo nesta fase reflete o seu interesse inalterado na TAP", salientou, apontando que aguarda "com expectativa a próxima fase do processo".
De acordo com a Air France-KLM, a sua proposta "inclui um plano estratégico que abrange todas as áreas do negócio, incluindo o transporte de passageiros, carga, programas de fidelização e Manutenção, Reparação e Revisão (MRO)". A Air France-KLM e a Lufthansa entregaram em 29 de julho, no último dia do prazo, propostas vinculativas no processo de privatização da TAP.
As propostas finais incluem os termos financeiros e estratégicos para a entrada no capital da companhia aérea, sendo ainda avaliados o investimento previsto, o desenvolvimento da frota, a aposta em áreas como a manutenção e os combustíveis sustentáveis e o respeito pelos compromissos laborais.
O processo prevê, desde o início, a existência de uma fase opcional de negociações para melhorar as propostas, antes da escolha do investidor.
A decisão final implicará ainda um conjunto de passos formais, incluindo a aprovação em Conselho de Ministros e a obtenção de 'luz verde' das autoridades europeias de concorrência.
A Air France-KLM foi a primeira interessada a confirmar a apresentação de uma proposta não vinculativa, em abril, e reiterou o seu forte interesse na transportadora portuguesa. O grupo destacou também a experiência na relação com acionistas estatais.
"A TAP encaixa totalmente na estratégia 'multi-hub' da Air France-KLM, e o nosso objetivo é reforçar as operações em Lisboa, ao mesmo tempo que desenvolvemos a conectividade noutras cidades do país, incluindo o Porto", afirmou recentemente o presidente executivo do grupo, Benjamin Smith.
A Lufthansa defende, por sua vez, o crescimento da TAP no mercado brasileiro, a expansão do 'hub' - plataforma giratória de distribuição de voos - de Lisboa e o reforço da operação no Porto.
O grupo alemão admite adquirir uma participação minoritária, mas pretende assegurar influência na gestão executiva da companhia.
A Lufthansa Technik está também a construir uma unidade industrial no parque empresarial Lusopark, em Santa Maria da Feira, dedicada à reparação e manutenção de componentes de aeronaves. O investimento está avaliado em centenas de milhões de euros e deverá criar mais de 700 empregos qualificados até 2027.
O Governo exige garantias quanto à manutenção da marca TAP, da sede em Portugal, do 'hub' de Lisboa e de rotas consideradas estratégicas, incluindo ligações internacionais relevantes para a economia e para as comunidades portuguesas.
O executivo mantém ainda a possibilidade de cancelar o processo em qualquer fase, sem direito a indemnização para os interessados, caso considere que as propostas não salvaguardam o interesse estratégico do país.
c/Lusa