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Venezuela. Projeções apontam subida de 475% da inflação em 2025

Venezuela. Projeções apontam subida de 475% da inflação em 2025

A desvalorização da moeda desencadeada pelo endurecimento das sanções dos EUA contra o presidente deposto Nicolás Maduro, terá contribuído para a subida em flecha dos preços.

RTP /
Pescadores venezuelanos passam dificuldades, apesar da exploração de petróleo Foto: Leonardo Fernandez Viloria

Depois da captura de Maduro, pelas forças americanas, a 3 de janeiro de 2026, os Estados Unidos começaram a levantar gradualmente as sanções agravadas nos meses anteriores.
A Venezuela não divulgava dados sobre a inflação há mais de um ano.

Esta sexta-feira, o Banco Central venezuelano (BCV) publicou um relatório sobre a projeção do aumento médio dos preços em 2025, calculada em torno dos 475 por cento, após um aumento de 48 por cento em 2024.

As projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI) indicam que a inflação da Venezuela é a mais elevada do mundo. 

Nas ruas da Venezuela, a população sente o aperto.

"Tenho de ir constantemente de um supermercado para outro", queixou-se à Agência France Press, uma contabilista de 58 anos, resmungando sobre a flutuação dos preços. 

"Um aumento salarial seria bem-vindo", disse Alix Aponte frente a uma banca de legumes.

Muitos venezuelanos dizem que o dinheiro não chega, uma vez que os baixos salários não conseguem cobrir o custo exorbitante dos alimentos e dos medicamentos.
Salários deviam ser pelo menos o dobro
O rendimento médio varia de 100 a 300 dólares, bem abaixo dos 700 dólares estimados como necessários para cobrir os custos básicos de alimentação. Em 2025, os preços dos alimentos e bebidas subiram 532 por cento em termos homólogos, enquanto os custos com a educação aumentaram 570 por cento. As rendas subiram 340 por cento e os custos com a saúde, 445 por cento.

Em 2018, a inflação na Venezuela atingiu os 130.000 por cento, no auge de um período de hiperinflação de quatro anos (2017-2021). 

A equipa económica de Nicolás Maduro, liderada por Delcy Rodríguez, conseguiu posteriormente conter a inflação, ao suspender a impressão de moeda e ao descriminalizar a utilização do dólar, que se tornou imediatamente a moeda de facto do país.

Tamara Herrera, diretora da consultora Sintesis Financiera, atribui a aceleração da inflação ao congelamento da taxa de câmbio imposto por Nicolás Maduro em 2024, durante a sua campanha para uma reeleição contestada.

"A desvalorização e a inflação andam de mãos dadas", disse à AFP. 

Herrera mencionou ainda um "contexto externo desfavorável, com a queda dos preços internacionais do petróleo e o regresso da política de pressão máxima sobre a atividade petrolífera da Venezuela" por parte dos Estados Unidos.
Perspetivas de melhoria
O endurecimento das sanções americanas restringiu notavelmente o fluxo de divisas, o que fez subir os preços dos bens e serviços em 2025. Herrera prevê uma inflação de cerca de 108 por cento para este ano.


O Banco Central da Venezuela (BCV) anunciara por seu lado na quarta-feira que a Venezuela registou um crescimento de quase nove por cento em 2025, destacando o papel desempenhado pelo setor petrolífero, apesar do embargo americano estar a ser flexibilizado.

Delcy Rodríguez, que assumiu a presidência interina após a detenção de Nicolás Maduro, implementou uma série de reformas apoiadas por Washington.

Reformou a lei dos hidrocarbonetos, abrindo o sector ao investimento privado, promulgou uma amnistia destinada a libertar todos os presos políticos e prometeu também reformas no sistema judicial e no código mineiro.

c/agências
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