Venezuela propôs programa de pagamento de dívidas às companhias aéreas
Caracas, 30 mai (Lusa) - O Governo venezuelano apresentou uma proposta de pagamentos semestrais dos 4,2 mil milhões de dólares (3,09 mil milhões de euros) da dívida às companhias aéreas estrangeiras e propôs baixar os preços dos bilhetes de voos internacionais.
"O acordo contempla o pagamento imediato de uma parte, provavelmente na próxima semana, e dividir a dívida restante em seis partes iguais, em pagamentos semestrais até 2016", afirmou, esta quinta-feira, o presidente da Associação de Companhias Aéreas da Venezuela (ALAV).
Humberto Figueira, que falava aos jornalistas à saída de uma reunião com os ministros de Turismo e de Transporte Aéreo e Marítimo, Andrés Izarra e Herbert Garcia, respetivamente, disse acreditar que a proposta é uma solução para o "gravíssimo problema que tem afetado a Venezuela".
Por outro lado, o ministro Herbet Garcia instou as companhias aéreas a rever em baixa os preços em dólares dos bilhetes de avião, o mais tardar numa semana, porque são mais elevados do que os praticados em rotas similares.
"Um bilhete Bogotá - Madrid - Bogotá custa 1.341 dólares, no entanto, um bilhete Caracas - Madrid - Caracas, é cotado em 3.150 dólares. No caso da rota Bogotá - Roma - Bogotá, o custo é de 1.527 dólares, mas a rota Caracas - Roma - Caracas custa 5.015 dólares", exemplificou, frisando que os preços quase duplicam em voos para Buenos Aires e Miami.
Algumas companhias aéreas que operam na América Latina propuseram abrir novas rotas para diferentes destinos na Venezuela e vários países da região.
Na Venezuela vigora, desde 2003, um apertado sistema de controlo cambial que impede a livre obtenção de moeda estrangeira no país e obriga as companhias aéreas a terem autorização para poderem repatriar os capitais gerados pelas operações.
O Governo da Venezuela deve 4,2 mil milhões de dólares (3,09 mil milhões de euros) às companhias aéreas internacionais por repatriação dos capitais e lucros correspondentes às vendas de bilhetes aéreos desde 2012, a qual tem sido dificultada pelas leis cambiais vigentes.
As dificuldades levaram recentemente a Air Canadá e a Alitalia a suspenderem os voos para Caracas, enquanto a Lufthansa decidiu cessar a venda de novos bilhetes.
O ministro da Economia, Finanças e Banca Pública venezuelano, Rodolfo Marco Torres, anunciou, na segunda-feira, que foi concretizado o pagamento de dívidas às companhias AeroMéxico, Insel Air, Tame Equador Aruba Airlines, Avianca e Lacsa-Taca, correspondentes aos anos de 2012 e 2013.
Segundo a ALAV, 11 das 26 transportadoras que voam para Caracas reduziram, desde janeiro, a oferta de lugares e a frequência dos voos, nalguns casos até aos quase 80%, devido à impossibilidade de repatriar os capitais correspondentes às vendas.