EM DIRETO
Guerra no Médio Oriente. Acompanhe aqui, ao minuto, a evolução do conflito

"Verão de São Martinho" prejudica produção em Marvão (C/ Fotos)

"Verão de São Martinho" prejudica produção em Marvão (C/ Fotos)

A produção de castanha no concelho alentejano de Marvão (Portalegre) está a ser prejudicada pelo "Verão de São Martinho", enfrentando os produtores locais graves dificuldades para dar resposta à procura do mercado.

© 2007 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A. /

"A ausência de chuva não permite que os ouriços (cápsula onde se encontra a castanha) abram e que as castanhas caiam para o chão", explicou à agência Lusa o presidente da Cooperativa Agrícola de Porto Espada (CAPE), João Baptista.

Por isso, observou, o fruto fica no castanheiro e "a apanha torna-se inviável".

"Se o fruto fica na árvore, não se justifica contratar pessoas para a apanha, porque ao fim do dia não há rentabilidade desse trabalho", disse o responsável.

Neste quadro, afirmou que o "Verão de São Martinho está a prejudicar uma boa parte da produção".

A região de Marvão, no norte alentejano, segundo o presidente da CAPE, é a "única a Sul do Tejo" onde se verifica a existência desta árvore de fruto.

O micro clima da Serra de São Mamede, propício à produção de castanha, já levou a que as entidades que tutelam o sector considerassem a castanha de Marvão como de "origem protegida".

Para o presidente da CAPE, que conta com mais de 50 produtores de castanha associados, o único ponto positivo da campanha deste ano é o facto do fruto possuir "um bom calibre".

"Há 15 anos produziam-se 500 toneladas, mas este ano é para esquecer", disse, lamentando por, todos os anos, secarem castanheiros, "devido à doença da tinta, provocada pela limpeza que se pratica actualmente nas terras e nestas árvores de fruto".

Inconformado com a actual situação, João Batista lembrou que o negócio já conheceu melhores dias e que a situação meteorológica deste Outono confirma essa tendência, apesar dos preços da castanha terem disparado.

"Num ano normal de produção, o quilograma da castanha ronda um euro, mas na actual campanha e logo à saída do produtor o preço é superior a dois euros", esclareceu.

Francisco Rodolfo, outro produtor de castanha na freguesia de Porto Espada (Marvão), garante, no entanto, que se justifica a apanha da castanha.

"Neste momento, existe escoamento, os preços não baixaram e também porque a apanha da castanha no Norte do país está mais atrasada", sustentou.

Mas, nem tudo são rosas para este produtor, que alega ser cada vez mais difícil produzir este fruto.

"Não há mão-de-obra e as mulheres da aldeia de Porto Espada que se dedicam a este serviço estão na minha exploração a trabalhar quase por favor", disse.

Habituada a apanhar castanha desde os 11 anos, Maria Bonito também lamenta que o tempo que se faz sentir esteja a prejudicar o seu trabalho.

A sexagenária, que comanda um grupo de mulheres que se dedica a este trabalho, mostra-se ainda preocupada pelo facto de estar a chegar mais uma edição da feira da castanha, em Marvão, e de não haver castanhas suficientes para o evento.

A mesma preocupação é de imediato partilhada pelas colegas de trabalho e também por Francisco Rodolfo, proprietário da exploração, que observa todos os passos dados pelas mulheres.

Como não há tempo a perder e num verdadeiro "vai e vem", as mulheres que apanham as castanhas, com luvas calçadas, colocam com rapidez o fruto num avental, antes de o depositar numa cesta em cortiça.

Com o passar das horas, Francisco Rodolfo enche mais uma saca de castanhas enquanto desabafa: "A castanha é boa, tem calibre, mas infelizmente não cai das árvores, uma verdadeira tristeza".

PUB