Vietname afirma ter garantido maior acesso à tecnologia dos Estados Unidos
O Governo do Vietname anunciou hoje que recebeu do Presidente norte-americano a promessa de que Hanói será em breve removido da lista de países com acesso restrito a tecnologias avançadas dos Estados Unidos (EUA).
O secretário-geral do Partido Comunista do Vietname, To Lam, reuniu-se com Donald Trump pela primeira vez na sexta-feira, depois de participar na sessão inaugural do Conselho da Paz do líder norte-americano em Washington.
"Donald Trump disse que vai instruir as agências competentes para remover em breve o Vietname da lista de controlo de exportações estratégicas", afirmou o Governo vietnamita, no portal oficial na Internet.
Os dois países continuam envolvidos em negociações comerciais para finalizar um acordo desde que Donald Trump começou uma ofensiva tarifária global, em abril de 2025.
Na sexta-feira, Donald Trump impôs uma nova tarifa aduaneira global de 10% sobre "todos os países", após o Supremo Tribunal dos EUA ter anulado as taxas que havia imposto.
O Vietname tinha o terceiro maior excedente comercial bilateral com os Estados Unidos à data dos anúncios das tarifas de Donald Trump, em abril, e foi alvo de uma das taxas mais elevadas.
Algo que Hanói evitou em julho ao abrir o mercado aos produtos norte-americanos, o que levou os Estados Unidos a reduzir a tarifa sobre os produtos vietnamitas de mais de 40% para 20%.
Três das companhias aéreas do Vietname anunciaram esta semana contratos no valor de quase 37 mil milhões de dólares (31,4 mil milhões de euros) com empresas aeroespaciais norte-americanas.
A decisão do Supremo Tribunal dos EUA incide sobre as chamadas "tarifas recíprocas" aplicadas em abril à maioria dos países, bem como sobre outras taxas decretadas com base numa lei de 1977 que permite ao Presidente regular importações em situação de emergência nacional.
A maioria dos juízes considerou que a lei não confere ao chefe do Executivo autoridade para impor impostos sobre importações, competência que a Constituição atribui ao parlamento.
O caso representa o primeiro grande dossiê da agenda de Trump a chegar diretamente ao Supremo Tribunal, que o Presidente ajudou a moldar com a nomeação de três magistrados conservadores durante o seu primeiro mandato.
A nova taxa de 10% irá somar-se às "tarifas aduaneiras normais já em vigor", afirmou Donald Trump, sugerindo que a maioria dos acordos comerciais com os Estados Unidos continuam de pé.
Os direitos aduaneiros cobrados pelas autoridades norte-americanas e visados pela decisão do Supremo Tribunal ultrapassaram os 130 mil milhões de dólares em 2025 (cerca de 110 mil milhões de euros ao câmbio atual), segundo analistas.
Desde abril de 2025 que o governo Trump tem vindo a negociar acordos com os principais parceiros comerciais, muitas vezes reduzindo as tarifas em contrapartida de aumento das compras de produtos norte-americanos e investimentos industriais no país.