Vinhos da Quinta da Boeira viajam até à Dinamarca com naus dos Descobrimentos
Quinhentos anos depois da primeira viagem de circum-navegação, réplicas das naus dos descobrimentos portugueses voltam a levar o Vinho do Porto pelo mundo, desta vez numa ação de promoção na Dinamarca dos vinhos da Quinta da Boeira.
O evento, que decorre hoje em Copenhaga por iniciativa da Quinta da Boeira, Arte e Cultura - com o apoio da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP), da Federação das Confrarias Báquicas de Portugal e da embaixada de Portugal na Dinamarca --, associa réplicas das mais icónicas caravelas portuguesas, avaliadas em um milhão de euros, a uma prova de 200 anos de Vinho do Porto e a uma cerimónia de insigniação.
Segundo os promotores, o objetivo é "assinalar os 500 anos da primeira viagem de circum-navegação, cuja história está intrinsecamente ligada ao começo da divulgação do Vinho do Porto pelo mundo, e ao mesmo tempo posicionar os vinhos da Quinta da Boeira num mercado `premium`, com um conceito diferenciador".
A primeira ação no âmbito desta estratégia decorreu em junho de 2016 em Madrid, Espanha, que apesar da proximidade geográfica e cultural a Portugal ainda regista valores de comercialização de Vinho do Porto muito aquém de outros países. Segue-se agora a Dinamarca e, depois, o Brasil.
"A Quinta da Boeira quer posicionar-se nos mercados ´premium` e afirmar os seus vinhos como produtos de excelência e com uma carga histórica indissociável. Daí termos desenvolvido um projeto cultural sobre a história do Vinho do Porto, que foi dado a conhecer ao mundo graças às embarcações que partiam do nosso país", afirmou o administrador da Quinta da Boeira em declarações à agência Lusa.
E se "hoje os tempos são outros", Albino Jorge continua empenhado em "que as pessoas conheçam e saibam apreciar o néctar único" que é o Vinho do Porto, pelo que irá levar a Copenhaga uma degustação de Vinho do Porto Tawny com 10, 20, 30 e 40 anos e de Vinho do Porto Very Old Tawny (100 anos), que, juntos, perfazem 200 anos de Vinho do Porto.
Registada como exportadora no Instituto dos Vinhos do Douro e Porto (IVDP) apenas desde janeiro deste ano, a Quinta da Boeira, em Vila Nova de Gaia, está a apostar na produção de vinhos naturais de qualidade superior "com uma forte componente artesanal", contando na sua gama com o Vinho do Porto Reserva Tawny, 10 anos e 20 anos, e o vinho de mesa Douro-DOC Tinto 2013 e Reserva, presentes em garrafeiras nacionais e internacionais.
Com origens no ano 1850, a Quinta da Boeira está localizada em plena cidade de Vila Nova de Gaia, junto às Caves do Vinho do Porto e aos centros históricos do Porto e Gaia, e acolhe um imponente palacete no centro dos seus quase três hectares de jardins de árvores centenárias.
Os seus diferentes espaços recebem diversos eventos, estando previsto para o mês de junho o arranque das obras de um hotel com 119 quartos e cinco `suites` -- o Oporto Boeira Garden Hotel - orçado em 19 milhões de euros, a concluir em dezembro de 2018 e que criará uma centena de empregos.
Esta unidade hoteleira é a última de cinco fases do projeto de reabilitação dos 27 mil metros quadrados da Quinta da Boeira, um investimento total de 38 milhões de euros que incluiu a reabilitação e transformação das cavalariças e estufas em salão polivalente e auditório, a recuperação do palacete e do armazém de vinhos anexo à propriedade e a construção da maior garrafa do mundo, com 32 metros de diâmetro, em cujo interior existem salas de provas de vinho para promover a cultura, gastronomia e produtos locais.
Na ação de hoje na Dinamarca, a Quinta da Boeira propõe-se interligar os seus vinhos com outros "produtos portugueses de excelência", como a doçaria de Amarante ou o queijo dos Açores, e associá-los aos Descobrimentos portugueses com uma exposição de réplicas de galés, naus, galões, corvetas e fragatas dos séculos XV a XIX construídas por um antigo pescador da Afurada (Gaia) e avaliadas em um milhão de euros.
Segundo os promotores, esta exposição será acompanhada por brochuras "que contam a história das viagens por mar desde a época dos Descobrimentos, passando pela circum-navegação, com especial destaque para o tratado de Tordesilhas onde Espanha e Portugal chegaram a acordo sobre a partilha do mundo descoberto e a descobrir".
À Lusa, o administrador da Quinta da Boeira justificou a aposta na Dinamarca por se tratar de "um país que procura qualidade e tem capacidade financeira para pagar produtos de topo", como o Vinho do Porto.
"A Dinamarca está numa fase de crescimento em termos de valor médio dos vinhos do Porto e Douro e, se entre 2015 e 2016 houve uma pequena redução da quantidade [foram vendidos cerca de 1,5 milhões de litros], houve um aumento muito grande em valor [de 4,91 para 5,69 euros/litro nos vinhos do Douro e de 7,45 para 8,12 euros/litro no Vinho do Porto] e é nisso que estamos a apostar", afirmou Albino Jorge.
A Quinta da Boeira Vinhos prevê faturar cerca de 700 mil euros este ano e dois milhões de euros em 2020, com o mercado da Dinamarca a representar um peso em torno dos 15% a 20%. Nas exportações, estão também a assumir lugar de destaque a China, os EUA e o Canadá.
Já no total das atividades da Quinta da Boeira -- eventos, vinhos e hotel --, as previsões da empresa apontam para um volume de negócios de 11 milhões de euros em 2021.